A prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), realizada pela Polícia Federal na manhã de terça-feira (5), ampliou as suspeitas sobre um esquema de fraudes envolvendo contratos públicos da área da Educação no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, a atuação do parlamentar não estaria restrita ao Norte Fluminense e poderia integrar uma estrutura criminosa espalhada por diferentes regiões do estado.
A operação, batizada de “Unha e Carne”, teve como foco contratos de reformas e serviços em escolas estaduais. De acordo com a PF, empresas previamente escolhidas seriam favorecidas em licitações para execução de obras, permitindo o desvio de recursos públicos por meio de contratos direcionados. Os investigadores apontam que Thiago Rangel teria assumido o controle do esquema em cidades sob sua influência política, especialmente em Campos dos Goytacazes e municípios vizinhos.
A decisão que autorizou as prisões foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Além do deputado, outras seis pessoas foram presas preventivamente. Também foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão em cidades do interior fluminense e na capital.
A investigação ganhou força após a análise de arquivos encontrados em um computador apreendido na Assembleia Legislativa do Rio, em um espaço ligado ao ex-deputado Rodrigo Bacellar. Entre os documentos localizados havia planilhas indicando distribuição de cargos estratégicos dentro do governo estadual, o que, segundo a PF, ajudaria a sustentar influência política sobre contratos públicos.
Os investigadores afirmam ainda que mensagens obtidas nos celulares dos suspeitos mostram negociações envolvendo obras, divisão de valores e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados. Em um intervalo de cinco anos, o patrimônio de Thiago Rangel teria saltado de R$ 92 mil para mais de R$ 3 milhões.
A PF aponta indícios de organização criminosa, fraude em licitações, peculato e lavagem de dinheiro. O deputado foi afastado do cargo por determinação judicial, enquanto as investigações continuam para identificar a extensão do esquema dentro da estrutura do governo estadual.
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