O Ministério Público de Santa Catarina pediu o arquivamento da investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, animal conhecido na Praia Brava, em Florianópolis, após concluir que não há provas suficientes para responsabilizar os adolescentes apontados inicialmente no caso. O parecer foi divulgado na terça-feira (12) e será analisado pela Vara da Infância e Juventude da Capital, já que o processo corre sob segredo de Justiça.
A investigação ganhou repercussão nacional no início do ano, quando o cachorro foi encontrado ferido e morreu dias depois. Na época, imagens de câmeras de segurança e relatos nas redes sociais levantaram suspeitas de maus-tratos praticados por adolescentes. Agora, após meses de diligências, o Ministério Público afirma que a reconstrução da linha do tempo desmontou a principal hipótese considerada pela investigação policial.
Segundo o órgão, perícias identificaram divergências nos horários de câmeras privadas e do sistema público de monitoramento usado no caso. Com a correção dos registros, o novo cruzamento das imagens apontou que o animal e o adolescente investigado não estavam no mesmo ponto da praia no momento em que a agressão teria ocorrido. Em um dos trechos analisados, o cachorro aparecia a centenas de metros de distância.
Outro ponto decisivo foi o laudo veterinário elaborado após a exumação do corpo. De acordo com o Ministério Público, não foram encontrados sinais de fraturas ou lesões compatíveis com espancamento. A perícia indicou que Orelha sofria de osteomielite, uma infecção óssea grave e crônica, que teria causado o agravamento do estado de saúde do animal.
O parecer, com cerca de 170 páginas, também sustenta que parte das acusações surgiu de boatos e conteúdos compartilhados nas redes sociais sem comprovação direta. O MPSC ainda informou que pretende abrir uma nova apuração para investigar possível disseminação de informações falsas e eventual monetização do caso em plataformas digitais.
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