A Polícia Civil de São Paulo, por meio do NOAD (Núcleo de Observação e Análise Digital), investiga uma rede alarmante de transmissões ao vivo de tortura contra animais nas redes sociais. O foco principal das investigações é o Discord, mas os crimes também ocorrem em outras plataformas. A polícia monitora, em média, de 10 a 15 transmissões por madrugada.
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Cerca de 90% dos envolvidos são adolescentes e jovens e entre 12 e 21 anos. Segundo as investigações, eles se organizam em servidores fechados com hierarquias rígidas e cargos definidos.
A polícia aponta que esses jovens buscam “pertencimento” e reconhecimento dentro de comunidades sádicas. O crime contra animais é visto pelos investigadores como um “marcador de violência extrema” que pode escalar para crimes contra humanos, como mutilações e estupros virtuais.
Em março de 2026, a polícia de SP identificou e prendeu, em Fortaleza (CE), com apoio local, um homem que promovia desafios de maus-tratos online. Estima-se que pelo menos 100 animais foram vítimas diretas desse agressor.
Graças ao monitoramento em tempo real, as autoridades afirmam já ter salvado centenas de animais ao identificar a localização dos agressores durante as lives e acionar unidades policiais locais.
A delegada responsável pelo caso, Elisandrea Salvarrego, relatou publicamente que plataformas como o Discord muitas vezes demoram para derrubar os servidores ou fornecer dados, o que dificulta as prisões imediatas.
As transmissões ocorrem majoritariamente de madrugada para evitar a vigilância dos pais.
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