TEMA: ORGULHO DE SER E AMAR — O AMOR E A DEMOCRACIA VENCERAM
No dia 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBTI+, Curitiba recebe a 9ª Marcha da Diversidade. Neste dia histórico, ocupamos as ruas para celebrar conquistas, homenagear quem veio antes de nós e reafirmar nosso compromisso com a democracia, os direitos humanos, a justiça social e a dignidade humana.
O amor venceu.
A democracia venceu.
Vencemos porque resistimos.
Vencemos porque milhares de pessoas ousaram sonhar com uma sociedade mais justa e nunca desistiram diante da discriminação, da violência e da exclusão.
Hoje, pessoas LGBTI+ podem casar, constituir famílias, adotar crianças, viver seus afetos com proteção legal e reivindicar seus direitos com muito mais segurança jurídica do que em qualquer outro momento da nossa história. Pessoas trans conquistaram o direito à retificação de nome e gênero. A LGBTIfobia passou a ser reconhecida como crime. E seguimos derrotando iniciativas que tentam nos censurar, nos invisibilizar ou apagar nossas existências.
Essas conquistas não foram presentes. Foram resultado de décadas de mobilização social, da coragem de ativistas, do trabalho dos movimentos sociais e da luta de todas as pessoas que acreditam que a democracia só existe quando alcança todas as cidadãs e todos os cidadãos.
Mas nem tudo está resolvido. O preconceito continua produzindo sofrimento, exclusão e violência.
Estudo do Banco Mundial publicado este ano aponta que a discriminação contra a população LGBTI+ gera perdas econômicas estimadas em R$ 94,4 bilhões por ano para o Brasil. Esse número revela que o preconceito não destrói apenas vidas: ele compromete o desenvolvimento econômico, reduz oportunidades, afasta talentos e enfraquece toda a sociedade.
Nas escolas, a realidade continua alarmante. Pesquisas nacionais mostram que cerca de 86% dos estudantes LGBTI+ relatam insegurança no ambiente escolar em razão de sua orientação sexual ou identidade de gênero. O bullying, a discriminação e a violência continuam fazendo parte da rotina de milhares de crianças, adolescentes e jovens. Nenhuma sociedade democrática pode aceitar que suas escolas sejam espaços de medo quando deveriam ser espaços de acolhimento, conhecimento e liberdade.
As pessoas trans continuam enfrentando obstáculos inaceitáveis. Em pleno século XXI, ainda existem iniciativas que tentam restringir direitos básicos, inclusive o acesso a espaços públicos de acordo com sua identidade de gênero. Isso não é proteção. Isso é discriminação.
Também seguimos enfrentando discursos de ódio que procuram justificar a exclusão em nome de crenças religiosas, ideológicas ou morais. Defendemos plenamente a liberdade religiosa e a liberdade de consciência. Mas nenhuma crença pode servir de justificativa para negar direitos, humilhar pessoas ou estimular a intolerância.
O ódio não é apenas uma opinião. O ódio cria o ambiente que legitima a violência. O ódio alimenta a discriminação. O ódio encoraja agressões.
E, muitas vezes, o ódio abre caminho para os crimes que continuam vitimando centenas de pessoas LGBTI+ todos os anos em nosso país.
No Paraná, dados da SESP-PR/CAPE apontam mais de 3 mil ocorrências relacionadas à LGBTIfobia entre 2022 e 2025.
Segundo dados do Programa Athena, levantados por meio da Lei de Acesso à Informação — LAI, Curitiba ocupa a 12ª posição no ranking das capitais no mapeamento de políticas públicas LGBTI+, com média 2,0. Já o Estado do Paraná aparece em 18º lugar no ranking das unidades federativas, com média final 2,5. Esses números mostram que, apesar dos avanços conquistados, ainda há um longo caminho a percorrer para que Curitiba e o Paraná garantam políticas públicas efetivas, permanentes e estruturadas para a população LGBTI+.
Esta marcha não é apenas uma celebração. É também um chamado à ação.
Por isso, reivindicamos a criação do Conselho Estadual LGBTI+ no Paraná, como instrumento fundamental de participação social, fiscalização e implementação de políticas públicas. Também exigimos ações concretas para reduzir a violência, promover a inclusão, garantir a equidade, valorizar a diversidade e assegurar dignidade, proteção e cidadania às pessoas LGBTI+.
Por isso, em um ano em que a sociedade brasileira volta a exercer o direito democrático do voto, reafirmamos que a defesa dos direitos humanos, da democracia, da diversidade e da soberania nacional também se expressa nas escolhas feitas nas urnas. Convidamos todas as pessoas a votarem com orgulho e consciência, apoiando candidaturas comprometidas com a dignidade humana, a igualdade, a defesa das instituições democráticas, da soberania do Brasil e o combate a todas as formas de discriminação, para que possamos construir uma sociedade mais justa, plural e solidária.
Estamos aqui para defender a democracia contra todas as formas de autoritarismo e intolerância.
Estamos aqui para defender a justiça social, porque não existe dignidade humana onde há desigualdade, pobreza, exploração e exclusão.
Estamos aqui para apoiar as lutas da classe trabalhadora por melhores condições de vida e de trabalho, incluindo o fim da escala 6×1, sem redução de salário, em defesa da saúde física e mental das trabalhadoras e dos trabalhadores brasileiros.
Estamos aqui para afirmar que a luta contra a LGBTIfobia é parte inseparável da luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela justiça social.
Como afirmou Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa”. O preconceito é aprendido. E tudo aquilo que é aprendido pode ser transformado por meio da educação, do diálogo e da convivência humana.
E como ensinou Hannah Arendt, o direito fundamental é o direito de ter direitos. É exatamente isso que reivindicamos: o direito de existir plenamente, sem medo, sem violência e sem discriminação.

Nós não somos vergonha.
Nós não somos pecado.
Nós não somos anormais.
Nós não somos aquilo que o preconceito diz que somos.
Somos cidadãs e cidadãos.
Somos famílias.
Somos estudantes.
Somos trabalhadoras e trabalhadores.
Somos artistas.
Somos empreendedores.
Somos parte da história e do futuro desta cidade.
Temos orgulho de ser quem somos.
Temos orgulho de amar quem amamos.
A Constituição Federal afirma que todas as pessoas são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. A Declaração Universal dos Direitos Humanos proclama que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
Não pedimos privilégios.
Exigimos respeito.
Exigimos igualdade.
Exigimos cidadania.
Exigimos políticas públicas efetivas.
Exigimos a criação do Conselho Estadual LGBTI+.
Exigimos o compromisso de Curitiba e do Paraná com a inclusão, a equidade, a diversidade e o enfrentamento à violência contra a população LGBTI+.
Por isso, na 9ª Marcha pela Diversidade de Curitiba, lançamos oficialmente a campanha:
TOLERÂNCIA ZERO À LGBTIFOBIA
Convidamos toda a sociedade curitibana a se somar a essa construção coletiva.
Curitiba pode e deve ser referência não apenas em urbanismo e inovação, mas também em respeito à diversidade, convivência democrática, inclusão e promoção da dignidade humana.
Marchamos por memória.
Marchamos por justiça.
Marchamos por igualdade.
Marchamos por liberdade.
Marchamos por democracia.
Marchamos por respeito.
Marchamos porque existir é um direito.
Marchamos porque amar é um direito.
Marchamos pelo fim da escala 6 X 1
Marchamos porque trabalhar com dignidade é um direito.
Marchamos porque a dignidade humana não se negocia.
ORGULHO DE SER E AMAR!
Grupo Dignidade
Aliança Nacional LGBTI+
