“Xica da Silva”, de Cacá Diegues, trazia Zezé Motta no papel de uma escravizada que se tornou a mulher mais poderosa de Diamantina no século XVIII, subvertendo a ordem escravocrata com astúcia, sensualidade e uma irreverência que fazia do riso uma forma de resistência.
Às vésperas de completar meio século, a obra que reposicionou o protagonismo negro e feminino no audiovisual brasileiro será relançada em cópia restaurada pela Sessão Vitrine Petrobras, com previsão de chegada aos cinemas em 16 de julho.
Antes, a versão remasterizada terá sua primeira exibição durante o Festival de Cinema de Ouro Preto, no dia 28 de junho, acompanhada de uma mesa de debates com Renata Magalhães, viúva do diretor, e a restauradora Débora Butruce.
Numa época em que o Cinema Novo ainda ditava os rumos do audiovisual brasileiro, Cacá Diegues optou por um caminho próprio. Sem abrir mão das preocupações políticas e históricas, “Xica da Silva” combinou humor, erotismo, música e linguagem popular para colocar uma mulher negra no centro absoluto da narrativa.
O longa, definido por Leon Cakoff como “uma expressão de resistência ao regime de exceção no Brasil”, foi frequentemente interpretado como um comentário ousado — ainda que indireto — sobre o autoritarismo que governava o país em 1976.
O sucesso foi estrondoso: mais de 3,1 milhões de espectadores, prêmios de Melhor Filme, Direção e Atriz no Festival de Brasília, e uma trilha sonora imortalizada por Jorge Ben Jor que ecoa até hoje.
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