Dino quebra sigilo e expõe megaesquema de corrupção no Maranhão
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou públicas três decisões que detalham investigações sobre um suposto esquema político e empresarial no Maranhão. As apurações, divulgadas em reportagem do Uol, reúnem suspeitas de desvio de recursos públicos, fraude em licitações, interferência no Judiciário, obstrução da Justiça e possível ligação com o assassinato de um empresário, ocorrido em agosto de 2022.
De acordo com a Polícia Federal, diferentes inquéritos apontam para a existência de uma rede voltada à apropriação de verbas de contratos e emendas parlamentares. O homicídio teria sido motivado por uma disputa envolvendo pagamentos e propinas. Somente em uma das frentes investigadas, a movimentação financeira ultrapassaria R$ 14 milhões.
As decisões também mencionam possíveis tentativas de impedir o avanço do caso. O senador Weverton Rocha (PDT-MA) teria atuado para interferir na tramitação da investigação no Superior Tribunal de Justiça, segundo a PF. Diálogos reunidos pelos investigadores registram contatos do parlamentar com Humberto Martins, então relator do processo no STJ.
Outro ponto envolve o agente federal Edvar Rodrigues dos Santos, afastado após suspeitas de manter contatos não autorizados com familiares do condenado pelo assassinato. A apuração ainda alcança policiais civis, advogados, políticos e integrantes de órgãos públicos, além de possíveis manobras em indicações ao Tribunal de Contas do Maranhão.
O grupo investigado teria conexões com o governador Carlos Brandão. Daniel Brandão, sobrinho do governador e conselheiro do Tribunal de Contas estadual, aparece nas apurações como possível participante da discussão que antecedeu o crime. Sua assessoria nega qualquer envolvimento e afirma que ele procurou as autoridades após receber ameaças e pedidos de auxílio financeiro.
O ex-secretário Raimundo Cutrim também é investigado por supostamente orientar familiares do condenado a afastar os Brandões do episódio. Sua defesa rejeita irregularidades e questiona a permanência de Flávio Dino na relatoria, porque o ministro e sua família teriam sido monitorados ilegalmente por Cutrim no Maranhão.
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