Referência do audiovisual brasileiro, o produtor Luiz Carlos Barreto morreu aos 98 anos, nas primeiras horas desta quarta-feira (22). Familiares confirmaram o falecimento. Conhecido como Barretão, o produtor, diretor e fotógrafo estava internado desde terça-feira (21) e enfrentava problemas de saúde após sofrer uma queda em Fortaleza, em março de 2024.
Com uma trajetória de seis décadas, Barreto teve participação decisiva na consolidação do Cinema Novo e esteve ligado a mais de 80 produções. Antes de se tornar produtor, trabalhou no jornalismo e no fotojornalismo. Como diretor de fotografia, Barreto participou de dois marcos do cinema nacional: “Vidas secas”, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, e “Terra em transe”, de Glauber Rocha.
Nascido em Sobral, no Ceará, em 1928, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 19 anos. Na década de 1950, atuou nas revistas “A Cigarra” e “O Cruzeiro”, período em que se aproximou do universo cinematográfico. O contato com cineastas como Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha direcionou definitivamente sua carreira.
Em 1963, fundou a L.C. Barreto Produções Cinematográficas. A empresa viabilizou títulos como “Garrincha — Alegria do povo”, “A hora e vez de Augusto Matraga”, “O dragão da maldade contra o santo guerreiro” e “Bye Bye Brasil”.
O maior público de sua carreira veio com “Dona Flor e seus dois maridos”, longa comandado por Bruno Barreto que levou aproximadamente 11 milhões de pessoas aos cinemas. A L.C. Barreto também esteve envolvida em “O quatrilho” e “O que é isso, companheiro?”, produções brasileiras que disputaram o Oscar na categoria destinada a filmes internacionais.
Casado com Lucy Barreto desde 1954, Luiz Carlos transformou o cinema em uma atividade familiar. Os filhos Bruno, Fábio e Paula seguiram ligados ao audiovisual. Barretão deixa Lucy, os filhos Paula e Bruno e nove netos. Seu legado reúne clássicos, militância cultural e uma contribuição central à projeção do cinema nacional.
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