Pilotos sabiam de falha antes da tragédia com 62 mortos da Voepass, aponta PF
A queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior paulista, em 2024, ocorreu após uma combinação de falhas técnicas e operacionais, segundo laudo da Polícia Federal obtido pelo Fantástico. A perícia identificou problemas recorrentes no sistema de degelo, conhecidos pela tripulação antes da decolagem, além do descumprimento de protocolos previstos pelo fabricante.
A análise dos computadores de bordo mostrou que o aviso AIRFRAME FAULT apareceu no voo do acidente e em três viagens anteriores da mesma aeronave. Em vez de registrar formalmente a anormalidade, as equipes tentaram restabelecer o equipamento desligando e religando o sistema, procedimento repetido pelo menos cinco vezes somente no trajeto anterior à tragédia.
Para a PF, o comandante sabia que o mecanismo apresentava funcionamento intermitente, mas aceitou realizar uma nova viagem por uma rota com previsão oficial de formação de gelo. Caso o defeito tivesse sido comunicado nos registros técnicos, o avião não poderia operar naquelas condições, conforme as regras da Lista de Equipamentos Mínimos.
Durante o último voo, o alerta sobre o sistema de degelo surgiu ainda na subida, mas a aeronave permaneceu na região de risco. Já perto de São Paulo, os gravadores captaram a preocupação dos pilotos com o acúmulo de gelo e confirmaram que novas tentativas de acionamento do equipamento não produziram o resultado esperado.
Na sequência, os computadores emitiram avisos de perda de desempenho, necessidade de aumento da velocidade, estol e proximidade do solo. O avião perdeu sustentação, entrou em parafuso e caiu em menos de um minuto, embora os peritos tenham apontado uma janela aproximada de 20 segundos na qual a tripulação ainda poderia tentar recuperar o controle.
O documento também relata irregularidade na liberação do voo por causa de uma falha no limpador de para-brisa diante da previsão de chuva, embora esse ponto não seja tratado como causa direta da queda. A PF deve concluir o inquérito na quinta-feira, dia 13, e, conforme apuração do Fantástico, deverá indiciar investigados por possíveis responsabilidades criminais no acidente.
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