Grupos neofascistas planejavam ataques contra o Planalto e debate do 2º turno
Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal revelou uma rede de grupos extremistas que discutia ataques contra políticos e prédios públicos em Brasília. Os integrantes se organizavam em dois grupos fechados no Telegram: um com mais de 600 participantes e outro, mais restrito, com 46.
As conversas apresentavam conteúdo neonazista, misoginia, discurso de ódio e incentivo à violência. Entre os alvos discutidos estavam o Palácio do Planalto e o local previsto para um debate presidencial do segundo turno. A polícia realizou buscas em oito cidades de cinco estados.
O caso faz parte de um cenário mais amplo de radicalização política e extremismo organizado pela internet. No Paraná, Santa Catarina e São Paulo, o Ministério Público denunciou 14 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa de orientação neonazista.
Segundo a investigação, o grupo possuía estrutura hierarquizada e atuava também em Curitiba, São José dos Pinhais e Araucária. Entre os denunciados estavam integrantes das forças de segurança de São Paulo. A organização é investigada por crimes relacionados ao neonazismo, racismo e disseminação de ideologia supremacista.
No Rio de Janeiro, outra investigação identificou um grupo conhecido como “Geração Z”, formado principalmente por jovens e apresentado pelos próprios integrantes como apartidário e anticorrupção. A Polícia Civil investigou a organização por ações de radicalização e planejamento de atos violentos contra autoridades e instituições.
Em fevereiro, a Operação Break Chain prendeu três pessoas e cumpriu 17 mandados de busca e apreensão no estado. Diferentemente dos grupos explicitamente neonazistas, a organização carioca apresentava um discurso antissistema e antidemocrático, mostrando que o extremismo digital pode assumir diferentes formas ideológicas.
Apesar das diferenças entre os grupos, as investigações apontam um padrão: a internet funciona como espaço de recrutamento, radicalização e organização de comunidades extremistas. O Ciberlab, laboratório do Ministério da Justiça especializado em crimes cibernéticos, informou ter produzido 103 relatórios.
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