Escândalo na Fazenda de SP: ex-diretor é preso por suspeita de propina
O Ministério Público de São Paulo prendeu, na manhã da quinta-feira (3), o ex-diretor-geral da Administração Tributária André Weiss e o advogado João André Buttini de Moraes. A Operação Caldarium investiga um grupo suspeito de cobrar propina para acelerar a liberação de créditos bilionários de ICMS dentro da Secretaria Estadual da Fazenda. As informações são do Estadão.
Segundo os promotores do Gedec, Buttini comandava a parte privada do esquema, aproximando grandes contribuintes dos servidores envolvidos e negociando valores. Weiss, terceiro nome na hierarquia da pasta, teria liderado o núcleo público e usado sua influência sobre fiscais e dirigentes para beneficiar empresas atendidas pelo advogado.
As prisões preventivas foram autorizadas pelo juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens. A operação também cumpriu 47 mandados de busca contra 27 investigados, entre auditores, inspetores fiscais, ex-servidores e profissionais ligados ao setor tributário.
A apuração ganhou força após a colaboração premiada do auditor Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como PP. Ele relatou que Buttini teria repassado cerca de R$ 13,6 milhões a Weiss entre 2021 e agosto de 2025, por meio de dinheiro vivo e notas fiscais referentes a serviços supostamente inexistentes.
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O Ministério Público também identificou aproximadamente R$ 383,4 milhões recebidos de terceiros por estruturas relacionadas ao advogado. Parte dos recursos, conforme os investigadores, teria abastecido pagamentos ilegais destinados a destravar, antecipar ou aprovar pedidos administrativos de empresas do varejo, prática conhecida como fura-fila do ICMS.
Todos os servidores ainda em atividade atingidos pela operação foram afastados e tiveram o acesso à Secretaria da Fazenda bloqueado. A Caldarium deriva da Operação Ícaro, aberta em agosto de 2025 para investigar um esquema liderado pelo ex-auditor Artur Gomes da Silva Neto, chamado de King, e considerado pela Promotoria a maior estrutura de corrupção fiscal já descoberta no estado.
As defesas de Weiss, Buttini e dos demais investigados foram procuradas pela reportagem do Estadão, mas ainda não haviam apresentado manifestação.
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