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Morre Zuenir Ventura, um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro, aos 95 anos

Aos 95 anos, Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), no Rio de Janeiro, depois de uma trajetória que atravessou algumas das principais transformações políticas e sociais do Brasil nas últimas décadas. Jornalista, escritor, professor e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele estava em casa quando morreu, conforme informação divulgada pela instituição.

Nascido em Além Paraíba, município de Minas Gerais, Zuenir começou a construir sua carreira longe das grandes reportagens que posteriormente o tornariam conhecido em todo o país. Enquanto estudava, trabalhou no arquivo da Tribuna da Imprensa e, com o passar dos anos, ocupou diferentes funções em redações de veículos como Jornal do Brasil, Veja, IstoÉ, Visão, O Cruzeiro, Fatos e Fotos e Correio da Manhã.

Parte importante de sua produção foi dedicada a episódios que expuseram conflitos, desigualdades e mudanças profundas na sociedade brasileira. Uma série de reportagens realizada no Acre sobre Chico Mendes foi reconhecida em 1989 com os prêmios Esso e Vladimir Herzog.

Essa atenção aos grandes acontecimentos do país também chegou aos livros, nos quais Zuenir combinou experiência jornalística, memória e investigação. “1968 – O Ano que Não Terminou” recuperou o ambiente político e social de um dos períodos mais duros da ditadura, enquanto “Cidade Partida” abordou a realidade de Vigário Geral após a chacina que marcou a comunidade carioca.

O regime militar não foi apenas objeto de seu trabalho, mas também atingiu diretamente sua vida pessoal. Em 1968, Zuenir e a mulher, Mary Akiersztejn, foram detidos e levados ao Dops, e o jornalista permaneceu preso durante cerca de três meses.

Já em 2015, décadas depois de iniciar a carreira nas redações, Zuenir passou a integrar a Academia Brasileira de Letras, assumindo a cadeira anteriormente ocupada por Ariano Suassuna. Paralelamente aos livros e ao jornalismo, também trabalhou como professor e participou da formação de novos profissionais.

Zuenir deixa a mulher, Mary, os filhos Elisa e Mauro e os netos Alice e Eric. Sua produção permanece ligada à memória de acontecimentos que ajudaram a explicar o Brasil contemporâneo, da repressão política à violência urbana e aos conflitos envolvendo a Amazônia.

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