China vê vitória de Lula como freio à extrema-direita
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi interpretada pela imprensa estatal chinesa como um revés para a influência dos Estados Unidos e de Donald Trump na América Latina. No Diário do Povo, jornal ligado ao Partido Comunista Chinês, um pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais afirmou que o avanço da direita na região “foi contido por enquanto”. A análise, porém, reconhece que políticos bolsonaristas conquistaram a maioria dos governos estaduais e formaram a maior bancada nas duas casas do Congresso Nacional, cenário que pode limitar a capacidade de articulação do próximo governo.
Em outra análise, publicada no portal do grupo Phoenix, de Hong Kong, o pesquisador Li Chen, da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sudoeste e pós-doutorando na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), avalia que Lula iniciará o quarto mandato sob pressão parlamentar e terá de negociar ministérios e recursos orçamentários em troca de apoio político.
A possível moderação da agenda econômica também passa pela composição do futuro governo. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), reeleito para o cargo, é um político de centro e aparece entre os nomes cotados para assumir um ministério na área econômica em 2027. Já Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento e Orçamento, se identifica politicamente como uma figura de centro ou centro-direita e defende uma frente ampla com partidos de centro. Caso ambos tenham protagonismo na nova administração, suas posições poderão influenciar as decisões sobre política fiscal, orçamento e relação com o setor empresarial.
A manifestação oficial de Pequim foi de reconhecimento do resultado eleitoral brasileiro. Em 26 de outubro, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que o país registrava o anúncio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a vitória de Lula, apresentava felicitações e respeitava a escolha do povo brasileiro.
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