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Dia Internacional das Mulheres Rurais

Celebrado em 15 de outubro, o Dia Internacional das Mulheres Rurais destaca a participação feminina na produção de alimentos, na agricultura familiar e na preservação dos territórios. Apesar da importância econômica e social desse trabalho, as mulheres ainda enfrentam desigualdades no acesso à renda, ao reconhecimento profissional, aos serviços de saúde e à proteção contra a violência.

Dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) de 2026, elaborado pelo Ministério das Mulheres com base em estatísticas oficiais, mostram que, em 2024, 1,5 milhão de mulheres estavam ocupadas na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura. Elas representavam 18,7% dos 7,8 milhões de trabalhadores desses setores.

O Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou 945.490 mulheres responsáveis pela direção de estabelecimentos agropecuários, o equivalente a 18,6% do total. Em 2006, elas representavam 12,7% dos produtores responsáveis pelos estabelecimentos, indicando crescimento da participação feminina na gestão das propriedades.

Embora os dados mostrem avanço, os números também revelam a permanência da desigualdade na distribuição das responsabilidades formais pela produção rural.

O Raseam 2026 evidencia uma das principais desigualdades enfrentadas pelas mulheres no campo: a invisibilidade do trabalho familiar. Em 2024, 37,3% das mulheres ocupadas no setor agropecuário e em atividades relacionadas trabalhavam por conta própria. Outras 27,2% eram trabalhadoras familiares auxiliares, categoria que reúne pessoas que ajudam na atividade econômica de um integrante da família sem receber remuneração própria por esse trabalho.

A situação dificulta a autonomia financeira e o reconhecimento da contribuição feminina para a produção. Mesmo quando participam diariamente do cultivo, da criação de animais e de outras tarefas produtivas, essas trabalhadoras podem não ter renda individual diretamente associada à atividade.

O acesso ao crédito rural também é importante para ampliar a autonomia das agricultoras. Em 2024, 1,1 milhão de pessoas foram beneficiadas pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), das quais 38,5% eram mulheres. No Nordeste, elas representaram 50,4% dos beneficiários, a maior proporção entre as regiões brasileiras. No Sul, a participação feminina foi de 18,4%.

A violência também atinge mulheres que vivem em áreas rurais. Além das agressões domésticas e familiares, lideranças comunitárias, sindicais e defensoras da terra e do meio ambiente podem enfrentar ameaças e outras violações relacionadas à atuação pública e à defesa dos territórios.

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgados pelo Ministério das Mulheres em agosto de 2026, apontam que 1.707 mulheres foram vítimas de diferentes formas de violência contra a pessoa no campo entre 2016 e 2025.

No conjunto da população brasileira, os dados também mostram a dimensão da violência de gênero. Segundo o Ministério das Mulheres, o Ligue 180 recebeu 155.111 denúncias de violência contra mulheres em 2025, uma média de 425 por dia. Esse total corresponde ao país inteiro, sem representar exclusivamente as áreas rurais.

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