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Fazer o “L” de Lula vira símbolo contra extrema-direita pelo mundo

O gesto de formar a letra “L” com os dedos, associado a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ultrapassou as fronteiras brasileiras e passou a ser reproduzido por lideranças e simpatizantes de esquerda em outros países. Após a vitória de Lula no segundo turno das eleições, em 25 de outubro, o símbolo ganhou espaço em manifestações e campanhas políticas que buscam mobilizar apoiadores diante do avanço de movimentos de direita e extrema direita.

O gesto do “L” de Lula foi criado pelo jornalista e publicitário paranaense Mário Milani, em 1989, durante a primeira campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. A ideia surgiu como parte de uma estratégia de comunicação de baixo custo, já que a campanha tinha poucos recursos para divulgar o candidato.

No Brasil, o Canal “Exército do Lula”, administrado por Janones durante a campanha, ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores no WhatsApp às vésperas do segundo turno. A união entre antigos estrategistas da comunicação com novos comunicadores digitais definiu a virada de Lula no segundo turno nessas eleições presidenciais.

Na Espanha, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau pediu ao público de um comício da coalizão Frente Ampla, em Madri, que levantasse o braço com o “L” de Lula. Durante a manifestação, ela associou o gesto à esperança, à defesa de uma Palestina livre e à mobilização política espanhola. O primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol, também parabenizou Lula pela vitória e declarou que a experiência brasileira pode servir de inspiração para enfrentar o crescimento da direita nas eleições espanholas. Sánchez chegou a convidar Janones para colaborar com a estratégia de campanha, mas a equipe do deputado ainda não havia confirmado se o convite seria aceito.

No México, a presidente Claudia Sheinbaum também reproduziu o “L” ao parabenizar Lula e classificou sua vitória como “uma lufada de ar fresco para a América Latina e o Caribe”. Na França, apoiadores de Jean-Luc Mélenchon passaram a fazer o gesto de Lula e, em seguida, inverter as mãos para formar a letra “M”, inicial do sobrenome do político. O canal digital “L’équipe de Mélenchon officielle”, que teve como inspiração o canal do PT “Exército de Lula”, reunia mais de 46 mil participantes, em apoio à candidatura dele para as eleições presidenciais francesas de 2027.

A estratégia de mobilização digital também começou a ser replicada na Argentina, onde militantes criaram o “Exército do Peronismo”, grupo de WhatsApp inspirado na iniciativa brasileira. O canal, voltado à articulação de apoiadores do peronismo diante das eleições de 2027, já reunia mais de 40 mil inscritos, segundo a reportagem.

Nos Estados Unidos, ativistas ligados ao Partido Democrata também passaram a divulgar a experiência da campanha brasileira. A influenciadora política Jess Craven publicou um vídeo intitulado “O que podemos aprender com o Brasil?”, no qual defendeu que ativistas pró-democracia adotem estratégias semelhantes de mobilização. A publicação, compartilhada por Janones, já tem mais de 500 curtidas na página do Instagram da ativista.

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