Gilmar Mendes e Luiz Fux, ministros do Supremo Tribunal Federal, tiveram uma discussão ríspida nesta semana, nos bastidores da Corte.
Segundo magistrados que presenciaram o confronto, Mendes ironizou o pedido de vistas feito por Fux no processo no qual o ex-juiz e senador Sergio Moro (União Brasil-PR) é acusado de calúnia por ter insinuado que o ministro venderia sentenças.
Até o pedido de Fux, o placar do julgamento estava 4 x 0 pela rejeição do recurso do senador. O julgamento virtual foi suspenso e ainda não tem data para ser retomado. Pelo regimento interno do STF, o ministro pode reter o processo por três meses.
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“Vê se consegue fazer um tratamento de terapia para se livrar da Lava Jato”, disse Mendes para o colega. Fux reagiu reclamando que o ministro tem falado mal dele na Corte.
Mendes confirmou, mas disse que critica Fux publicamente e não pelas costas. E lembrou do longo voto do ministro no julgamento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a trama golpista.
Fux foi o único ministro da Primeira Turma do STF a votar pela anulação do processo e absolvição de Bolsonaro, apesar de anteriormente ter votado pela condenação de centenas de golpistas do 8 de janeiro.
Mendes reclamou que Fux obrigou os ministros a assistir um voto de 12 horas “que não fazia o menor sentido”, e o acusou de “condenar o mordomo”, já que o ministro defendeu a condenação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente coronel Mauro Cid.
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