Skip to content Skip to footer

Auditorias apontam falhas graves em fundos ligados ao Banco Master desde 2019

(Foto: divulgação)

Auditorias independentes que examinaram, ao longo dos últimos anos, os balanços de fundos de investimento associados ao Banco Master vêm registrando alertas recorrentes sobre falhas de documentação, limitações de acesso a informações e possíveis distorções contábeis. A apuração foi realizada pela Folha de S.Paulo, que analisou relatórios de auditoria emitidos desde 2019 e identificou um padrão de fragilidade nos controles financeiros desses veículos.

Os documentos examinados apontam dificuldades para comprovar a existência e o valor de ativos, ausência de dados societários de fundos que compõem as carteiras e dependência de laudos antigos ou não auditados. Parte desses fundos integra uma rede que entrou no radar do Banco Central, suspeita de ter sido usada para estruturar operações financeiras irregulares.

Esses registros também são mencionados nas apurações da Operação Carbono Oculto, que investiga a presença do PCC em operações do sistema financeiro.

Entre os casos mais sensíveis está o do Hans 95, o maior fundo da lista, com ativos que ultrapassam R$ 34 bilhões. Auditorias sucessivas registraram problemas, culminando em relatórios nos quais os auditores deixaram de emitir opinião formal diante da falta de evidências suficientes.

Outros fundos, como Olaf 95 e Arleen, também acumularam ressalvas, com apontamentos sobre concentração excessiva de investimentos, ausência de balanços auditados de fundos investidos e lacunas documentais relevantes.

Um elo comum entre os fundos analisados é a Reag, responsável pela administração e, em alguns casos, pela gestão e custódia dos recursos. A empresa teve sua liquidação decretada pelo Banco Central e é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro.

Já a fiscalização do setor cabe à Comissão de Valores Mobiliários, que recebe os relatórios de auditoria e pode instaurar processos administrativos quando identifica irregularidades, inclusive determinando mudanças na administração ou a liquidação de fundos.

Segundo especialistas ouvidos pela Folha, apesar das atribuições formais, a CVM enfrenta limitações operacionais diante do tamanho do mercado de capitais, o que faz com que muitas apurações avancem a partir de denúncias ou alertas pontuais.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

09 mar 2026

Para professor Josemar, discurso de “meritocracia” é farsa para mascarar racismo

“Só vamos abrir mão de cotas quando brancos ricos abrirem mão do direito à herança”, diz deputado do PSOL-RJ, que desde criança já se interessava por política
12 mar 2026

Faca no pescoço: PL dá uma semana para Ratinho Jr desistir de disputar presidência e apoiar Flávio

Partido ameaçou romper a aliança no Paraná com o PSD de Ratinho para apoiar Sergio Moro ao governo do estado
12 mar 2026

Machosfera: canais misóginos do Brasil no You Tube têm 23 milhões de inscritos

Número de seguidores nesses canais aumentou 18,5%, ganhando mais de 3,6 milhões de novos inscritos
12 mar 2026

Seis anos após primeira morte por Covid, 14 milhões de brasileiros ainda sofrem com sequelas da doença

Sequelas levaram a 167 mil atendimentos registrados na Atenção Primária até 2024 e cerca de 5 mil mortes atribuídos diretamente à pós-COVID
12 mar 2026

Funk brasileiro é o gênero que mais cresceu no mundo na principal plataforma de streaming em 2025

Ritmo é um dos motores que ajudaram a derrubar barreiras linguísticas, segundo estudo
12 mar 2026

Caso Master: escritório de Ibaneis faturou R$ 38 milhões em operação com a Reag

Valor se refere a um deságio sobre um montante original de aproximadamente R$ 381 milhões em precatórios

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário