A violência e as pressões contra profissionais da imprensa no Brasil voltaram a cair em 2025, mas seguem como um problema recorrente. Dados divulgados na terça-feira (7), no Dia do Jornalista, mostram que foram registrados 66 episódios de agressões ou ataques contra jornalistas ao longo do ano passado, uma redução de 9,1% em relação aos 72 casos contabilizados em 2024.
O levantamento, produzido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão e divulgado pelo portal Poder360, revela que, apesar da queda, a frequência das ocorrências ainda é significativa: em média, um caso a cada cinco dias. O monitoramento acompanha há 14 anos os registros de violações à liberdade de expressão no país.
Entre os tipos de ataques, a violência física aparece como a forma mais comum, respondendo por 39% dos casos, ao todo, 26 episódios. Em seguida, surgem situações de intimidação, que somaram 10 registros. O relatório também aponta um ambiente marcado por hostilidade crescente, com campanhas de descredibilização, assédio e ataques verbais direcionados a profissionais da mídia.
Um dado considerado positivo é a ausência de assassinatos de jornalistas em decorrência do exercício da profissão em 2025. Este é apenas o quarto ano, dentro da série histórica, em que não houve registros desse tipo de crime, repetindo o cenário observado anteriormente em 2019, 2021 e 2024.
Ainda assim, o diagnóstico geral indica que o ambiente de trabalho para jornalistas permanece sob pressão. Mesmo com a redução numérica, os episódios refletem um cenário de intolerância ao contraditório e de crescente polarização, fatores que impactam diretamente o exercício da atividade jornalística.
O relatório reforça que qualquer agressão contra profissionais da imprensa ultrapassa o âmbito individual e atinge diretamente o direito à informação. Nesse contexto, a persistência dos ataques é vista como um alerta sobre os riscos à liberdade de imprensa e às bases democráticas no país.
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