O cantor bolsonarista Amado Batista foi incluído na lista suja de empregadores que utilizam trabalho escravo, divulgada na segunda-feira (04), pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Uma fiscalização do Ministério Público do Trabalho (MPT) identificou 14 trabalhadores atuando a condições análogas à escravidão em propriedades rurais ligadas a ele em Goianópolis (GO), em 2024.
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De acordo com o relatório, em uma das propriedades, os trabalhadores enfrentavam jornadas de até 18 horas. Operadores de máquinas eram obrigados a dormirem em colchões no chão de um galpão, pois não havia alojamento, nem móveis ou armários no local.
“As condições do local eram extremamente precárias, não havendo condições mínimas de habitabilidade. O local não dispunha de camas, sendo que os trabalhadores dormiam sobre colchões no chão; não eram fornecidas roupas de camas e nem disponibilizados armários individuais para guarda de objetos pessoais; as condições de higiene do local eram precárias, sendo que sequer havia local para se tomar refeições, com mesas e cadeiras”, afirmou o MTE.
A defesa de Amado Batista, negou irregularidades, atribuindo o problema ao fato da fazenda ter sido arrendada a terceiros. “O fato ocorreu em 2024, foi assinado um TAC com MPT, na qual todas as obrigações dos colaboradores foram integralmente pagas e quitadas”, afirmaram em nota os advogados do cantor.
Como funciona a lista
A “lista suja” do trabalho escravo é um cadastro do Ministério do Trabalho atualizada duas vezes por ano: em abril e outubro. O nome de uma pessoa ou empresa só entra na lista após uma fiscalização constatar trabalho análogo à escravidão e o processo administrativo chegar ao fim, sem mais chances de recurso.
O nome fica exposto por dois anos. Para sair, é necessário ter pago todas as multas, indenizado os trabalhadores e não ter reincidido no crime.
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