O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), conseguiu superar todos os limites da “cara de pau” no Legislativo brasileiro ao pedir e liberar para ele mesmo R$ 379 milhões em emendas ao Orçamento Federal para 90 obras e projetos para o Amapá, sua base eleitoral.
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Pode parecer piada do dia da mentira, mas não é: no dia 1º de abril de 2025, Alcolumbre enviou ofício endereçado “Ao Exmo. Sr. Presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre”.
No texto, ele escreve que vem “respeitosamente manifestar apoio ao desbloqueio dos restos a pagar” de emendas antigas, encerrando o documento com a singela frase “certos de podermos contar com a sua valiosa colaboração”.
Do total dos recursos, R$ 30,5 milhões foram para obra de rodovia executada pela construtora do seu segundo suplente no Senado, Breno Chaves Pinto e outros R$ 210,4 milhões para o Ministério da Integração chefiado por Waldez Góes, indicado por ele. Os R$ 138 milhões restantes foram para o governo do Amapá e prefeituras do estado.
Ao jornal O Globo, que revelou o caso, Alcolumbre justificou como cumprimento de decisão do STF para identificar o “padrinho” de cada emenda, atribuindo tudo à “bancada do Amapá” e dizendo que o modelo é automático do sistema.
O contrato existe desde 2023, a firma já recebeu R$ 8 milhões até setembro de 2025, mesmo após rescisão por falhas graves apontadas pela Codevasf, e o contrato ainda aparece como ativo. Breno Chaves é investigado na Operação Route 156 da PF por fraudes em licitações.
A PF o flagrou sacando R$ 350 mil em dinheiro e usando carro de empresa ligada a primos de Alcolumbre. O senador já havia liberado outros R$ 60 milhões para a mesma obra, totalizando R$ 90 milhões, mas é claro, ele nega qualquer relação ou interferência.
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