O Banco Central determinou que o Banco de Brasília (BRB) registre uma provisão de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas relacionadas à aquisição de carteiras de crédito consideradas fraudulentas, originadas do Banco Master, liquidado em novembro do ano passado. A medida decorre das investigações que apontaram a inexistência de lastro real nos créditos negociados e que também resultaram na prisão do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Master, no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Segundo apurações conduzidas pelo Ministério Público Federal a partir de informações repassadas pelo próprio BC, o Master teria incorporado carteiras de crédito provenientes de uma consultoria sem efetuar pagamento e, posteriormente, revendido esses ativos ao BRB.
A instituição pública do Distrito Federal desembolsou R$ 12,2 bilhões pelas carteiras. Até o momento da liquidação do Master, cerca de R$ 10 bilhões foram recuperados por meio da transferência de ativos para compensar os créditos problemáticos, restando um montante ainda descoberto de R$ 2,6 bilhões.
É justamente esse valor que motivou a exigência de provisionamento, formalizada por meio de um termo encaminhado ao BRB no início de janeiro. O banco avalia agora a qualidade dos ativos recebidos para definir se será necessário um aporte adicional de capital, a fim de manter os índices mínimos exigidos pelas regras prudenciais, como o índice de Basileia. Atualmente, o patrimônio de referência do BRB gira em torno de R$ 6,5 bilhões.
O banco passa por uma auditoria externa independente após mudanças em sua alta gestão, realizadas depois do avanço das investigações. Com cerca de R$ 80 bilhões em ativos e R$ 30 bilhões em depósitos judiciais, o BRB estuda alternativas para eventual recomposição de capital, que incluem desde apoio do Fundo Garantidor de Créditos até aportes do controlador, o governo do Distrito Federal.
Diante das incertezas, a instituição tem reforçado a comunicação com clientes para afastar temores sobre sua liquidez, sustentando que segue operando normalmente e que eventuais medidas de capitalização não comprometem recursos destinados a políticas públicas.
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