O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), avalia deixar o cargo antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcada para a próxima semana. A decisão, segundo pessoas próximas, é vista como uma tentativa de evitar a perda formal do mandato em um processo que investiga abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
A estratégia em discussão é simples: ao renunciar antes da conclusão do julgamento, Castro escaparia da cassação direta, embora ainda possa ser declarado inelegível. Nesse cenário, ele concentraria sua defesa apenas na tentativa de reverter a inelegibilidade, reduzindo os danos jurídicos e políticos imediatos.
O caso que ameaça o mandato do governador está relacionado ao uso de estruturas vinculadas ao Ceperj e à Uerj. Investigações apontam para a contratação em massa de funcionários sem critérios claros de transparência, em um modelo que teria beneficiado aliados políticos em pleno período eleitoral.
Para o Ministério Público Eleitoral, há indícios de que parte desses contratados atuou na campanha de candidatos ligados ao grupo de Castro.
O julgamento já conta com votos favoráveis à punição, e a sinalização dentro do tribunal é de que a análise será concluída ainda neste mês. Nos bastidores, aliados reconhecem que o cenário é desfavorável e que a renúncia passou a ser considerada a única alternativa viável.
A crise também atinge o comando da Assembleia Legislativa. Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente afastado da Casa, também enfrenta investigações e foi alvo de medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal.
Mesmo com a possibilidade de inelegibilidade, o entorno de Castro não descarta uma tentativa de candidatura ao Senado, dependendo de decisões judiciais futuras. Enquanto isso, o estado pode ser levado a uma eleição indireta para um governo provisório, já que a linha sucessória atual está comprometida.
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