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Guerra no Oriente Médio já pesa no bolso: diesel sobe forte no Brasil

O avanço do conflito no Oriente Médio já começa a produzir reflexos diretos na economia brasileira, com impacto imediato no preço dos combustíveis e preocupação crescente do governo com a inflação em ano eleitoral.

Levantamento recente aponta que o litro do diesel registrou alta superior a 11% em apenas uma semana nos postos do país, saltando de R$ 6,08 para R$ 6,80. A escalada acompanha a disparada do petróleo no mercado internacional, que mais do que dobrou desde o início do ano, impulsionada pela instabilidade na região do Golfo.

A tensão aumentou após ações militares envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, que reagiu restringindo a circulação no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto da produção global de petróleo. Com o fluxo reduzido, o mercado reagiu com forte valorização da commodity.

No Brasil, o encarecimento do barril pressiona diretamente a Petrobras, responsável por parcela significativa da formação do preço do diesel. A estatal enfrenta o dilema de repassar o aumento ao consumidor ou absorver parte dos custos, o que impactaria suas margens.

Para conter os efeitos sobre os preços e evitar um novo ciclo inflacionário, o governo federal lançou um pacote de medidas que inclui desoneração de tributos federais e subsídios ao setor. A iniciativa prevê um gasto de até R$ 30 bilhões para reduzir parcialmente o valor nas bombas, ao mesmo tempo em que cria uma taxação sobre a exportação de petróleo.

Apesar disso, o impacto ainda é limitado. A redução de impostos federais atinge uma fração pequena do preço final, e a resistência dos estados em cortar o ICMS, que representa cerca de 20% do valor, dificultou uma queda mais expressiva.

Diante do impasse, uma alternativa em negociação prevê zerar o ICMS sobre a importação de diesel, com compensação parcial da União aos estados. A decisão deve ser tomada até o fim do mês.

O temor é que o aumento do diesel, essencial para o transporte de cargas, se espalhe por toda a economia, pressionando alimentos, serviços e produtos industriais. Estimativas indicam que os efeitos indiretos podem elevar a inflação ao longo de 2026, ampliando o desafio do governo em equilibrar preços e cenário fiscal.

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