Comida no Prato: quando campo e cidade se unem pela luta contra a fome e por direitos
Curitiba recebe no próximo dia 6 de setembro o 1º Festival Comida no Prato, que marca os cinco anos do coletivo Marmitas da Terra. O evento acontece na Praça João Cândido, das 9h às 21h, e reúne atrações culturais, feira de economia solidária, espaço de saúde, atividades para crianças e, claro, muita comida feita com solidariedade e afeto. Mais do que uma celebração, o festival é um ato político e social que busca fortalecer o debate sobre alimentação saudável, agroecologia, moradia digna e os direitos da classe trabalhadora.
- Cannabis em foco: 2º Congresso Crema chega a Santos com dois dias de programação
- Thundercat faz apresentação apoteótica na Ópera de Arame
- Black Pantera: música, resistência e o poder da arte como transformação
O festival terá uma programação variada, com shows de artistas como Garibaldis e Sacis, Janine Mathias, Wes Ventura, Sindicatis, Cia Mirabólica, Raissa Fayet, Rubia Divino e DJ Mitai. As crianças terão um espaço especial, a ciranda, com atividades lúdicas, oficinas de grafite indígena, teatro e brincadeiras. Já o espaço saúde contará com dicas de cuidados e relaxamento.

A comida, claro, é protagonista: o almoço terá feijoada tradicional e vegana, além de caldinho e outras delícias, disponíveis para compra antecipada. Haverá ainda bolo comemorativo, feira da economia solidária, exposição fotográfica e a partilha de histórias dos cinco anos do Marmitas da Terra.
O público esperado é diverso: o Festival Comida no Prato pretende atrair pessoas interessadas em temas como alimentação saudável, agroecologia e em alternativas para uma vida menos ligada ao consumo e à produção inconsciente de resíduos. Além disso, o evento também espera reunir as comunidades que já participam ativamente dos projetos do coletivo, como as do Uberaba, Portelinha e Vila União, que integram iniciativas de educação popular e hortas comunitárias.
Iniciativa inédita
Segundo Marina Lis Wassmansdorf, secretária-geral do evento, esta é uma iniciativa inédita na cidade e é fundamental para a população questionar seus direitos.
É importante do ponto de vista da política nacional, já que – ainda que sob um governo de esquerda – estamos vivendo um momento de recrudescimento de vários direitos da classe trabalhadora. Então esperamos que esse evento faça com que as pessoas possam retomar questionamentos sobre o que é central para um projeto de sociedade brasileira
disse Marina.
O festival nasce da prática cotidiana do coletivo Marmitas da Terra, que ao longo de cinco anos já distribuiu mais de 185 mil refeições e colheu mais de 60 toneladas de alimentos agroecológicos em suas hortas comunitárias. A proposta do evento é fazer com que a sociedade compreenda que alimentação é um direito coletivo e não uma escolha individual.
Esperamos gerar um debate na sociedade. De que a saúde começa pela boca, começa também com iniciativas de moradia digna, de trabalho dignos… Por exemplo, não há como discutir saúde hoje sem antes debater o que está indo para a mesa do trabalhador e trabalhadora brasileiros. Se o ultraprocessado de molho de tomate está mais barato que o tomate, o que a pessoa que alimenta uma família vai comprar?
questiona.
Nós acreditamos que essas escolhas não são individuais, que a responsabilidade sobre o que as crianças em idade escolar estão comendo não é só das famílias; mas do poder público como um todo
acrescenta Marina.
Campo e cidade: uma mesma luta
Ao longo da trajetória do Marmitas da Terra, ficou claro que as lutas por moradia, alimentação saudável e dignidade não estão separadas: o que começa no campo, com a agricultura familiar e a agroecologia, encontra eco nas necessidades da cidade.
As lutas do campo e da cidade não estão separadas, são um mesmo contíguo de aliança da classe trabalhadora. Se o MST, nos anos 1980, 1990, 2000 ocupava as terras para lutar por moradia e uma agricultura realmente sustentável no campo – hoje estamos debatendo e lutando por moradia e alimentação saudável para as comunidades urbanas. É o mesmo debate, mas temos um novo eixo de luta
disse.
Para Marina, é fundamental que a sociedade recupere a consciência sobre a origem dos alimentos e valorize o trabalho do agricultor familiar nos processos de produção.
Talvez, para nós, seja importante que a sociedade entenda que o capital nos roubou não só nossa mais-valia, nosso tempo de dedicação ao trabalho, mas também a nossa assimilação do que produzimos como sociedade – já não sabemos mais a origem e os processos produtivos envolvidos naquilo que consumimos – como o leite, o óleo vegetal, entre outros
disse.
Não temos a noção de que muita coisa começa lá com o agricultor familiar, plantando, semeando, observando e acompanhando o clima… e que, nas cidades, é importante voltarmos a discutir esses processos todos, que envolvem um trabalho mesmo
complementou Marina.
Cinco anos de luta e solidariedade
O coletivo nasceu em 2020, durante a pandemia, como parte da campanha de solidariedade do MST. Desde então, se consolidou como uma referência em Curitiba e região metropolitana na defesa da alimentação saudável, agroecológica e do combate à fome.
Hoje, o Marmitas da Terra mantém duas hortas comunitárias solidárias – no Assentamento Contestado, na Lapa, e na Vila 29 de Janeiro, em Curitiba – além de atuar em sete cozinhas comunitárias e projetos de educação popular em diversas comunidades. Em 2024, passou a integrar o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), reforçando sua incidência política em defesa de políticas públicas alimentares.
Organização
O Festival Comida no Prato é organizado pela Associação Marmitas da Terra, MST, Mãos Solidárias e Patuscada, em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo, a vereadora Giorgia Prates – Mandata Preta, e com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura de Curitiba.
BookmarkContinue lendo
Eleições 2026: mais de 1,1 mil denúncias de propaganda irregular em poucos dias
A Justiça Eleitoral recebeu 1.103 denúncias de possíveis irregularidades na propaganda de candidatos desde o início oficial da campanha, no domingo (16). As ocorrências chegaram por...
Projeto de lei na Câmara pode garantir porte de arma e custódia especial para empresários, MEIs e vigilantes
Projetos que avançam na Câmara dos Deputados em 2026 podem ampliar o acesso ao porte de armas para empresários, microempreendedores individuais (MEIs) e profissionais da segurança...
Rashid convoca Emicida, Projota e Rael em seu novo disco
O rapper Rashid lançou, em 11 de agosto, o sexto álbum de estúdio da carreira, “Cumulonimbus”, disponível nas principais plataformas de áudio. Com 15 faixas e...
Rio tem mais de 22 mil pessoas vivendo nas ruas
O Rio de Janeiro concentra a maior população em situação de rua entre os municípios fluminenses, com 22.352 pessoas inscritas no Cadastro Único. No estado, são...
Famílias comprometem 28,5% da renda com dívidas
Os brasileiros chegarão às eleições de outubro de 2026 com uma fatia recorde da renda destinada ao pagamento de dívidas bancárias, cenário que já preocupa campanhas...
Você viu todas as matérias.
Não foi possível carregar. Toque para tentar de novo.





