A carreira do diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso alcançou reconhecimento internacional de grande alcance nesta temporada de prêmios, após seu nome passar a integrar a disputa pelo Oscar de “Melhor Fotografia” graças ao trabalho realizado no filme “Sonhos de Trem”.
A presença na lista da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas marca um ponto alto de uma carreira construída de forma consistente, longe dos holofotes, mas cada vez mais reconhecida pelos principais circuitos do cinema mundial.
No início do ano, Veloso venceu o prêmio de “Melhor Fotografia” no Critics Choice Awards, superando profissionais experientes envolvidos em grandes produções internacionais. O desempenho reforçou o favoritismo do brasileiro e consolidou “Sonhos de Trem” como um dos trabalhos técnicos mais elogiados da temporada.
Estrelado por Joel Edgerton, o filme acompanha a trajetória de um trabalhador solitário no início do século 20, em meio às profundas transformações sociais e econômicas provocadas pela industrialização e pela expansão das ferrovias nos Estados Unidos.
A fotografia assinada por Veloso se destaca por tratar a imagem como elemento narrativo central, explorando paisagens, variações de luz e silêncios visuais para traduzir memória, perda e deslocamento. A produção está disponível na Netflix.
Antes de alcançar o reconhecimento do Oscar, Adolpho Veloso construiu uma carreira sólida no audiovisual brasileiro, com trabalhos em longas independentes, séries e documentários. Projetos como “Rodantes” e “El Perfecto David” já revelavam sua atenção à luz natural e ao diálogo entre personagens e território. Paralelamente, também atuou como diretor de fotografia em videoclipes, ampliando sua experiência estética.
A projeção internacional se intensificou a partir de “Jockey”, em 2021, início da parceria com o diretor Clint Bentley. O método desenvolvido nesse filme, equipes enxutas, câmera próxima aos atores e abertura ao acaso, foi aprofundado em “Sonhos de Trem”.
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