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Correios suspendem empréstimo de R$ 20 bilhões após veto do Tesouro e buscam saída para crise financeira

Correios
(Foto: Reprodução)

A tentativa dos Correios de levantar R$ 20 bilhões junto a um consórcio de cinco bancos esbarrou em um ponto decisivo nesta terça-feira (2): o Tesouro Nacional se recusou a oferecer garantia à operação nas condições apresentadas. Sem o aval, considerado essencial para viabilizar o acordo, a estatal decidiu interromper as negociações e buscar alternativas para evitar um agravamento de sua já frágil situação financeira.

A recusa do Tesouro ocorreu após análise técnica que apontou que o custo proposto, próximo de 136% do CDI, algo em torno de 20% ao ano, ultrapassava o limite de 120% do CDI estabelecido como referência para operações com garantia da União.

Mesmo após uma segunda rodada de conversas, em que os bancos suavizaram algumas exigências iniciais, a taxa permaneceu acima do patamar aceito pelo órgão ligado ao Ministério da Fazenda. O presidente da estatal, Emmanoel Rondon, foi chamado à pasta e informado de que não haveria flexibilização.

Com a suspensão, a direção dos Correios tenta agora reabrir o diálogo com as instituições financeiras para buscar uma taxa mais baixa ou até mesmo fatiar a operação, começando por um valor menor. Três dos bancos envolvidos, BTG Pactual, Citibank e ABC Brasil, já mantêm um contrato de crédito de R$ 1,8 bilhão com a empresa, sem garantia da União, o que alimenta a percepção interna de que haveria interesse em renegociar.

A urgência do financiamento está diretamente ligada ao rombo no caixa. A estatal acumula perdas desde 2022 e registrou, até setembro deste ano, um prejuízo de pouco mais de R$ 6 bilhões. Estimativas internas projetam déficits ainda maiores caso o plano de reestruturação não avance. O documento prevê corte de custos, programa de demissão voluntária, venda de imóveis e reorganização da rede de atendimento.

Sem o empréstimo e enfrentando queda de receitas e perda de participação no mercado de encomendas, os Correios trabalham com a possibilidade de que o Tesouro tenha de aportar recursos para assegurar compromissos de curto prazo, um cenário que o governo tenta evitar, mas que já não está completamente descartado.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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