Quarenta e cinco por cento dos eleitores brasileiros que se identificam como evangélicos — ou cerca de 16 milhões de um total de 36 milhões de votantes — rejeitaram votar em Jair Bolsonaro (PL-RJ) em 2022, quando o então presidente buscava a reeleição. E entre esse segmento religioso, os neopentecostais de mais baixa renda – incluindo os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus – foram os que menos rejeitaram a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Os dados são do estudo “Evangelismo não-bolsonarista: análise do perfil socioeconômico dos eleitores evangélicos que rejeitaram Bolsonaro nas eleições de 2022”, dos professores Emerson Urizzi Cervi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); e Naiara Sandi de Almeida Alcantara, da Universidade Federal do Pará, publicados na edição de maio-agosto de 2025 da Revista Debates, mantida pelo programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Os números tomam como base a pesquisa Datafolha da antevéspera do primeiro turno da eleição presidencial de 2022, que ouviu 12.800 participantes.
O estudo demonstra que os evangélicos de menor renda foram os que menos apoiaram Bolsonaro. “Eleitores de baixa renda foram os mais atingidos pela desestruturação de políticas públicas sociais e decisões da área econômica que concentraram renda e aumentaram a pobreza pós-pandemia de covid-19”, apontam os pesquisadores.
O levantamento conclui que, apesar da identidade religiosa conservadora, a condição econômica individual prevaleceu como fator de decisão para uma parcela significativa de evangélicos que optou por rejeitar a reeleição de Bolsonaro.
“O evangelismo não é um bloco monolítico que se identifica com o bolsonarismo em todas as condições, e, ao mesmo tempo, a associação entre renda e intensidade de apoio a um dos candidatos reforça o princípio de que eleições existem para ‘premiar’ ou ‘punir’ o governante e o desempenho de seu governo no passado recente”, explicam os professores.
Rejeição ativa
Estima-se que cerca 31% da população brasileira seja evangélica. Nas eleições de 2022 tivemos aproximadamente 118,5 milhões de votos válidos, sendo que desse total, cerca de 36,7 milhões são votos de evangélicos.
Com base na conclusão de que 45% desse eleitorado não votou em Bolsonaro, temos a seguinte projeção em números absolutos:
– 20 a 22 milhões de eleitores evangélicos votaram em Bolsonaro;
– 15 a 16 millhões de evangélicos votaram em Lula ou em outros candidatos;
– 17,4% e 19,5% dos evangélicos estão no grupo que vota em Lula e rejeita ativamente Bolsonaro.
– isso equivale a cerca de 6,5 a 7 milhões de eleitores evangélicos que não apenas deixaram de votar em Bolsonaro, mas declararam rejeitá-lo diretamente.
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