O Governo do Distrito Federal, comandado pelo bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB), encerrou 2025 com um déficit bilionário nas contas públicas, cenário que pressiona ainda mais a situação do Banco de Brasília (BRB) e pode levar a uma dependência direta da União para evitar um agravamento da crise.
Dados enviados ao Tesouro Nacional indicam que o caixa livre do DF fechou o ano com saldo negativo de R$ 876,6 milhões. Somado ao rombo de R$ 143,6 milhões no regime próprio de Previdência, o desequilíbrio ultrapassa R$ 1 bilhão. Embora haja R$ 1,59 bilhão em recursos vinculados, esses valores são carimbados e não podem ser usados para cobrir outras despesas.
O quadro é descrito por técnicos como “caixa virado”, quando o governo assume compromissos acima da disponibilidade financeira, incluindo restos a pagar transferidos para o exercício seguinte. Também cresce o volume de despesas realizadas além do previsto no Orçamento aprovado pela Câmara Legislativa, que desde 2023 supera R$ 1 bilhão por ano.
A fragilidade fiscal dificulta a capitalização do BRB, que precisa reforçar seu caixa para enfrentar perdas associadas a operações com o Banco Master, alvo de investigação da Polícia Federal.
Estimativas do Banco Central apontam que a necessidade de recursos pode chegar a R$ 5 bilhões, mas há avaliações de que o valor pode ser ainda maior. Um novo projeto apresentado pelo GDF prevê autorização para operações de crédito de até R$ 6,6 bilhões.
Sem capacidade de oferecer garantias robustas, o DF encontra resistência no mercado financeiro. A alternativa de contar com aval da União depende de aval do Ministério da Fazenda, que até agora não se manifestou. Nos bastidores, a avaliação é que a ajuda federal tende a se tornar inevitável, enquanto o impasse político se prolonga e o fôlego do banco estatal diminui.
Bookmark