Skip to content Skip to footer

Dono do Banco Master virou acionista do BRB por meio de empresa em paraíso fiscal

(Foto: Banco Master/Reprodução)

O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tornou-se acionista do Banco de Brasília (BRB) por meio de uma estrutura societária montada fora do país. A participação foi adquirida pela Titan Capital, holding ligada a Vorcaro com sede em Camana Bay, nas Ilhas Cayman, território conhecido por regras fiscais mais flexíveis.

Documentos enviados pelo próprio BRB ao Banco Central, em abril de 2025, detalham o caminho percorrido até a consolidação dessa participação acionária.

Segundo os registros, divulgados pelo portal Metrópoles, a entrada da Titan no capital do BRB não ocorreu diretamente por meio da emissão de novas ações do banco público. A holding comprou os papéis de um fundo já existente, o Deneb, que é administrado pelo grupo Master.

O contrato foi firmado em 10 de abril de 2025 e envolveu mais de 22 milhões de ações, entre ordinárias e preferenciais, negociadas por cerca de R$ 194 milhões.

Os documentos apontam que o pagamento foi feito com recursos próprios da Titan, complementados por um empréstimo contratado junto à Theter Investments S.A., além do resgate de aplicações financeiras.

No mesmo ofício encaminhado ao Banco Central, o BRB informou quem eram os beneficiários finais das ações negociadas anteriormente, ainda em 2024. Entre eles aparecem empresários e ex-sócios ligados ao grupo Master, alguns investigados pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

A movimentação acionária ocorreu pouco antes de o BRB anunciar a intenção de adquirir o Banco Master, operação que acabou sendo barrada pelo Banco Central meses depois. Em paralelo, o BRB promoveu aumentos de capital que elevaram o patrimônio social da instituição para R$ 2,3 bilhões, decisão aprovada no fim de 2024 e validada pela autoridade monetária no ano seguinte.

A defesa de Vorcaro sustenta que a condição de acionista do BRB afasta qualquer interesse em operações que pudessem causar prejuízo ao banco, argumento que deve ser apresentado às autoridades.

Na última sexta-feira, a Polícia Federal abriu um novo inquérito para apurar suspeitas de manobras societárias relacionadas à tentativa de compra do Master. O Banco Central foi procurado e ainda não se manifestou. O BRB afirma colaborar com as investigações e diz que parte das informações permanece sob sigilo.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

09 fev 2026

Sob pressão, Câmara começa a discutir fim da escala 6 X 1

Proposta ganhou força após mobilização popular conduzida por movimentos sociais e sindicais que reuniu mais de 1,5 milhão de assinaturas
09 fev 2026

Banco Master: oito fundos de previdência entram no vermelho

O levantamento analisou 18 fundos que, juntos, aplicaram cerca de R$ 1,86 bilhão em letras financeiras emitidas pelo banco
09 fev 2026

Operação prende piloto da Latam em Congonhas por investigação de abuso infantil

Apurações indicam que ao menos três vítimas, com idades entre 11 e 15 anos, teriam sido submetidas a abusos ao longo do período investigado
09 fev 2026

Lula deve barrar supersalários aprovados pela Câmara

Para o presidente, o momento exige contenção de despesas que não tenham impacto social direto e que possam ser interpretadas como privilégios
08 fev 2026

Laudo da PF reforça cuidados especiais, mas mantém Bolsonaro no presídio

A avaliação foi feita no dia 20, durante visita dos peritos ao 19º Batalhão da Polícia Militar, no complexo da Papuda, onde o ex-presidente está detido

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário