Uma operação de crédito de R$ 30 milhões destinada à compra de imunoglobulina para o Sistema Único de Saúde (SUS) colocou no mesmo enredo um contrato emergencial do Ministério da Saúde e uma empresa hoje investigada por suspeitas de ligação com o crime organizado.
O valor foi emprestado pela Insight Participações S.A. à distribuidora Farma Medical para viabilizar a importação do medicamento, indicado para pacientes com imunidade comprometida. A empresa precisava pagar antecipadamente o fabricante chinês e arcar com custos logísticos e tributários.
Segundo a antiga gestão da distribuidora, bancos tradicionais recusaram o financiamento, o que levou à assinatura de uma nota comercial com a Insight em junho de 2023.
A Farma Medical havia sido selecionada sem licitação, em caráter emergencial, para fornecer 90 mil frascos de imunoglobulina ao SUS, em contrato estimado em R$ 87,6 milhões.
A primeira remessa, com 31 mil unidades, chegou ao Brasil em outubro daquele ano, mas acabou interditada pela Anvisa após falhas no controle de temperatura durante o transporte. Como se trata de um produto biológico sensível, qualquer variação fora da faixa entre 2°C e 8°C inviabiliza o uso.
Com a interdição, o Ministério da Saúde rescindiu o contrato e aplicou multa de US$ 1,69 milhão à Prime Pharma LLC, empresa estrangeira representada no Brasil pela Farma Medical. A pasta informou que não houve pagamento pela carga barrada e que o acordo foi firmado antes das investigações policiais.
Dois anos depois, em agosto de 2025, a Insight foi alvo de buscas na Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do PCC na economia formal. O Ministério Público paulista atribui ao fundador da empresa papel central na ocultação de patrimônio e na movimentação de bilhões de reais considerados atípicos.
Até o momento, as apurações não indicam que o financiamento do contrato do SUS esteja no foco direto da investigação.
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