O empresário João Carlos Mansur, ligado à Reag, gestora de investimentos que entrou no centro das investigações financeiras recentes, negocia um acordo de delação premiada com autoridades. Alvo de apurações relacionadas ao Banco Master, ele iniciou as tratativas ainda no fim do ano passado, ao procurar o Ministério Público de São Paulo para discutir sua colaboração no âmbito da Operação Carbono Oculto.
A Reag passou a ser investigada por suspeitas de uso de fundos de investimento para ocultar recursos de origem ilícita. Com o avanço das apurações, Mansur também entrou no radar de investigações que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Nos bastidores, há avaliação de que os dois podem avançar em acordos separados, mas com versões compatíveis, o que evitaria conflitos nas informações prestadas.
As negociações de Mansur começaram antes mesmo da prisão de Vorcaro, em novembro. Desde então, sua defesa buscou diferentes canais dentro do Ministério Público, mas as tratativas evoluíram principalmente na esfera estadual. Esse caminho indica, até agora, ausência de nomes com foro privilegiado nas informações discutidas.
A Operação Carbono Oculto investiga um esquema de lavagem de dinheiro, fraudes e movimentações financeiras suspeitas associadas ao crime organizado. Segundo investigadores, estruturas ligadas à Reag teriam sido utilizadas para dar aparência legal a valores bilionários, inclusive por meio de fundos exclusivos com poucos cotistas.
O caso ganhou novos desdobramentos após fases adicionais de operações policiais e aprofundamento das apurações sobre o Banco Master. A situação culminou na liquidação da Reag pelo Banco Central, após identificação de irregularidades consideradas graves no funcionamento da instituição.
Outros investigados também passaram a buscar acordos de colaboração, ampliando a pressão sobre os envolvidos. Para que a delação seja aceita, Mansur precisará admitir eventuais crimes e apresentar provas que sustentem suas declarações às autoridades.
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