Um em cada cinco adolescentes brasileiros na faixa entre 12 e 17 anos de idade – ou aproximadamente 3 milhões de menores – foram vítimas de algum tipo de violência sexual na internet em um período de um ano. Os dados alarmantes são de relatório “Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças” divulgado nesta quarta-feira (04) pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef), em parceria com a organização internacional ECPAT e a Interpol, e financiado pela Safe Online.
- Ator denuncia desembargador por tentativa de abuso sexual e caso vai parar no CNJ
- O perigo veste farda: escolas cívico-militares colecionam relatos de abusos, assédio moral e importunação sexual
- Hytalo Santos e o marido são condenados a oito anos de prisão por vídeos sensuais com crianças e adolescentes
De acordo com o levantamento, 66% dos casos ocorreram exclusivamente em meios digitais, sendo o Instagram e o WhatsApp as ferramentas mais utilizadas pelos abusadores para abordar as vítimas. Frequentemente, os agressores estabelecem uma relação de confiança antes de migrar para canais privados para perpetrar o abuso.
Em quase metade dos casos, ou 49%, a violência foi cometida por alguém conhecido da vítima, como amigos, familiares ou namorados e ou pretendentes.
A exposição a conteúdo sexual não solicitado é a ocorrência mais frequente, com 14% das ocorrências, seguida de pedidos para compartilhamento de imagens íntimas, ameaças de exposição de conteúdo, chantagem e manipulação de imagens via inteligência artificial.
Um terço das vítimas não relatou a violência a ninguém. Os principais motivos são o sentimento de vergonha, o medo de não serem acreditadas, o desconhecimento sobre onde buscar ajuda e a banalização do crime, pois muitos não consideram a situação grave o suficiente para denúncia.
Bookmark