Skip to content Skip to footer

O perigo veste farda: escolas cívico-militares colecionam relatos de abusos, assédio moral e importunação sexual

Com o maior número de unidades nesse modelo (312), o Paraná de Ratinho Jr é também o estado com mais denúncias
Nove meninas com idades entre 11 e 13 anos denunciou que um militar teria tocado partes de seus corpos. Foto: Gabriel Rosa/AEN

Apresentadas por políticos de extrema-direita como uma solução “mágica” para os problemas do ensino público, as escolas cívico-militares colecionam um extenso rol casos de abusos, violência, assédio moral e importunação sexual. Com o maior número de unidades nesse modelo (312), o Paraná de Ratinho Jr é também é o estado onde mais denúncias foram registradas.

O episódio mais recente foi revelado por uma reportagem da BBC segundo a qual um grupo de pelo menos nove meninas com idades entre 11 e 13 anos denunciou que um militar teria tocado partes de seus corpos, incluindo o seio de uma delas. As importunações teriam ocorrido em diferentes datas em uma escola cívico-militar em Cornélio Procópio, na região Norte do Paraná, a 400 quilômetros de Curitiba.

O caso aconteceu em 2023 e foi registrado na polícia, mas o PM continuou trabalhando na escola e só foi demitido pela Secretaria da Educação em 2025, quase dois anos depois.

Governo esconde dados

Questionado, o governo Ratinho Jr se negou a fornecer informações sobre quantas denúncias de abusos cometidos por militares contra adolescentes nas escolas cívico-militares paranaenses estão sendo investigadas atualmente.

O único dado admitido foi de que 14 militares já foram expulsos ou desligados das escolas por comportamentos graves.

Aula de ódio

Entre novembro e dezembro de 2025, outros dois casos registrados em escolas cívico-militares do Paraná, denunciados pela APP-Sindicato – que representa professores e funcionários de escolas do estado, viraram escândalo em nível nacional. Em vídeo recebido e divulgado pelo sindicato nas redes sociais, estudantes do Colégio Cívico-Militar João Turin, em Curitiba, entoam um canto com letra que faz apologia ao ódio e à violência, especialmente contra moradores da periferia.

Segundo informações divulgadas pela APP, em 2024, uma estudante foi assediada sexualmente por um monitor militar durante uma viagem escolar ao zoológico de Curitiba. Após denúncias, o militar foi afastado. De acordo com o relato da adolescente, após denunciar o caso à direção, foi desacreditada pela mesma, a qual questionou se a aluna não havia inventado a história.

Violência

Outra denúncia apontou que, no dia 20 de fevereiro de 2024, no Colégio Jayme Canet, de Curitiba, um homem alto não identificado agrediu dois estudantes menores de idade em frente à escola com socos e empurrões. A gravação mostra que o agressor agiu com violência, intimidando e ameaçando outros alunos.

O monitor militar da escola não apenas não interveio como teria dito que “faria o mesmo”, contaram os estudantes. “Quando fomos tirar satisfação com o monitor policial (subtenente), ele disse que isso que estava acontecendo ali era consequência das nossas ações, porque fizeram algo para o filho dele (o agressor). E que ele, o subtenente, faria o mesmo”, relataram os alunos.

Aparência

Paraná e São Paulo – dois estados governados por bolsonaristas – concentram também centenas de relatos de coação verbal e intimidação, com ameaças de expulsão ou impedimento de entrar na sala, por causa de cabelos coloridos, brincos ou uso de blusa na cintura. Em Curitiba, um pai denunciou monitores que chamaram alunos de “gay” por usarem blusa na cintura.

Bookmark

Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

Mais Matérias

09 mar 2026

Para professor Josemar, discurso de “meritocracia” é farsa para mascarar racismo

“Só vamos abrir mão de cotas quando brancos ricos abrirem mão do direito à herança”, diz deputado do PSOL-RJ, que desde criança já se interessava por política

Deputados do PL de Flávio Bolsonaro cobravam 25% de propina em emendas

Entre as provas está um vídeo de outubro de 2020 em que Josimar Maranhãozinho aparece retirando maços de dinheiro de uma caixa

General que planejou matar Moraes e Lula ganha direito a “visita íntima” na prisão

Militar foi um dos autores do chamado “Plano Punhal Verde Amarelo”
10 mar 2026

Bolsonaro quer receber assessor supremacista de Trump que defendeu esterilização de minorias étnicas

Darren Beattie é conhecido como ideólogo de extrema-direita que utiliza o cargo para promover teorias conspiratórias e agendas de nacionalismo branco
10 mar 2026

“Machosfera”: deputada Duda Salabert propõe criminalizar movimento red pill

Movimento defende que homens estão sendo manipulados ou oprimidos por mulheres e pela sociedade moderna
10 mar 2026

“Machosfera”: vídeos simulando agressões a mulheres que dizem “não” viralizam

Deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) denunciou o caso ao Ministério Público, criticando a falta de regulamentação das redes

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário