O Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou denúncia contra uma ex-assessora ligada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontando sua participação em um esquema de ocultação de recursos associados ao miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2020 durante uma operação policial na Bahia.
A investigação sustenta que a estrutura financeira teria sido usada para lavar dinheiro proveniente da exploração ilegal do jogo do bicho.
Segundo os promotores, Raimunda Veras Magalhães, que trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) entre 2016 e 2018, teria atuado em uma rede formada por pessoas físicas e empresas com a função de movimentar e dissimular valores ilícitos. O grupo utilizaria negócios aparentemente legítimos para dar aparência legal aos recursos.
As apurações indicam que Adriano da Nóbrega mantinha controle sobre pontos de jogo do bicho na zona sul do Rio, em parceria com o contraventor Bernardo Bello. Empresas investigadas teriam movimentado ao menos R$ 8,5 milhões.
Entre os estabelecimentos identificados estão um depósito de bebidas, bares, restaurantes e até um quiosque de estética em shopping da zona norte, que registrou cerca de R$ 2 milhões em créditos em apenas seis meses.
O Ministério Público também aponta movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade declarada de uma pizzaria e de empresas do setor de estética, que teriam recebido depósitos ligados ao esquema.
Raimunda já havia sido investigada anteriormente no caso das chamadas “rachadinhas” no gabinete de Flávio Bolsonaro, mas o processo foi encerrado após decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal que invalidaram provas.
Além dela, também foram denunciados a viúva de Adriano, Julia Lotuffo, e o deputado federal Juninho do Pneu (União Brasil-RJ). A acusação afirma que bens avaliados em R$ 3,5 milhões teriam sido negociados entre ambos, mesmo com indícios de origem ilícita dos recursos.
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