A Polícia Federal voltou às ruas de Lajeado, no Vale do Taquari, na manhã desta quinta-feira (26), ao deflagrar a segunda etapa da Operação Lamaçal. A ofensiva mira suspeitas de uso irregular de verbas federais enviadas ao município após as enchentes que devastaram a região em maio de 2024, período em que a cidade estava sob decreto de calamidade pública.
Os agentes cumpriram mandados de busca no setor de licitações da prefeitura e em outros endereços relacionados à apuração. Entre os alvos de prisão temporária está o ex-prefeito Marcelo Caumo, que administrava o município na época da tragédia climática.
A investigação se concentra em contratos firmados para reforçar a rede de assistência social no cenário pós-enchente. Psicólogos, assistentes sociais, educadores, motoristas e auxiliares administrativos teriam sido contratados por meio de dispensa de licitação, sob a justificativa de urgência diante da crise humanitária.
A Polícia Federal apura se a empresa escolhida foi contratada sem a comprovação de que oferecia a proposta mais vantajosa para os cofres públicos.
Outro ponto sob análise é o valor dos serviços. Há indícios de que os pagamentos possam ter superado os preços praticados no mercado. Os contratos investigados somam aproximadamente R$ 120 milhões.
A primeira fase da operação ocorreu em novembro de 2025, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União. Na ocasião, foram realizadas dezenas de buscas em cidades do Rio Grande do Sul, além da apreensão de veículos e do bloqueio de milhões de reais em bens e contas vinculadas aos investigados.
Os recursos analisados têm origem no Fundo Nacional de Assistência Social e foram destinados ao atendimento emergencial da população atingida pelas cheias.
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