O uso de uma mesma estrutura por integrantes do Grupo Fictor e do Comando Vermelho para lavar dinheiro e fraudar bancos passou a orientar os desdobramentos da investigação da Polícia Federal. A conclusão dos investigadores é que empresários e membros da facção recorreram ao mesmo modelo para movimentar recursos ilícitos dentro do sistema financeiro.
O esquema funcionava a partir da abertura de empresas de fachada, criadas com dados padronizados e aparência de regularidade. Essas empresas apresentavam documentos contábeis manipulados para simular faturamento elevado. Com isso, conseguiam acessar crédito em bancos e justificar a entrada de dinheiro sem origem comprovada.
Segundo a apuração, esse modelo impactou instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Banco Safra, que teriam concedido crédito com base em informações distorcidas. Parte dos valores também era utilizada para dar aparência legal a recursos do tráfico de drogas.
As investigações indicam ainda que havia participação de funcionários do sistema financeiro, responsáveis por inserir dados nos sistemas internos e facilitar operações. Com isso, as movimentações ganhavam aparência de legalidade e conseguiam passar pelos mecanismos de controle.
Após um período de funcionamento, as empresas eram abandonadas com dívidas elevadas, dificultando a recuperação dos valores pelas instituições financeiras. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 500 milhões.
Com a operação em andamento, a Justiça determinou bloqueio de bens, quebra de sigilo e prisões de suspeitos, incluindo gerentes bancários. As medidas buscam interromper o esquema e identificar todos os envolvidos.
Para a Polícia Federal, o compartilhamento dessa estrutura entre o Grupo Fictor e o Comando Vermelho revela um padrão que pode ter sido replicado em outras fraudes, o que amplia o alcance das investigações.
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