Milhares de indígenas de diferentes regiões do país ocuparam, na manhã da terça-feira (7), a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em mais um ato do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), principal mobilização indígena do Brasil.
A marcha teve início por volta das 9h30, no Eixo Cultural Ibero-Americano, e seguiu por cerca de seis quilômetros até o Congresso Nacional, foco central das reivindicações do movimento.
Participaram do ato representantes de diversas etnias, entre elas tikuna, kokama, makuxí, pataxó e guajajara, além de integrantes de dezenas dos povos originários ainda existentes no país. Sob forte calor, os manifestantes caminharam caracterizados com pinturas corporais e adornos tradicionais, carregando faixas com críticas ao Legislativo e mensagens em defesa da demarcação de terras.
A mobilização ocorreu em meio a um cenário de tensão envolvendo propostas legislativas que, segundo lideranças indígenas, ameaçam direitos garantidos pela Constituição. Entre os principais pontos de contestação está a tese do marco temporal, que limita a demarcação de terras às áreas ocupadas em 1988.
Apesar de o Supremo Tribunal Federal já ter considerado a tese inconstitucional em 2023, o tema voltou ao debate após a aprovação de uma proposta no Senado em 2025, ainda pendente de nova análise na Câmara.
Além das críticas ao Congresso, os indígenas também denunciam pressões de setores econômicos, como agronegócio e mineração, sobre territórios tradicionais. Como parte de um acordo com as autoridades do Distrito Federal, os participantes deixaram instrumentos tradicionais no acampamento e ocuparam parte das vias do Eixo Monumental de forma organizada.
O movimento também cobrou maior avanço nas demarcações. Dados oficiais apontam que, entre 2023 e 2025, foram reconhecidos 20 novos territórios indígenas, somando cerca de 2,5 milhões de hectares. Ainda assim, lideranças afirmam que há um grande número de áreas aguardando regularização, em um contexto marcado por conflitos e vulnerabilidade nas comunidades.
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