Um conjunto de denúncias feitas por alunas de uma escola cívico-militar de Cornélio Procópio, no norte do Paraná, expôs falhas na condução e na transparência de apurações envolvendo militares que atuam no ambiente escolar. Pelo menos nove meninas, com idades entre 11 e 13 anos, relataram à polícia que um monitor militar teria feito toques indevidos durante conversas dentro da unidade.
Os episódios teriam ocorrido ao longo de 2023 e deram origem a um inquérito por estupro de vulnerável, hoje em tramitação sob sigilo na Justiça.
Mesmo após os relatos formais, o funcionário seguiu vinculado à escola. Inicialmente, foi retirado do contato direto com os estudantes e deslocado para atividades administrativas, já que a direção não tinha autonomia para demiti-lo.
O desligamento do programa estadual só ocorreu em 2025, quase dois anos depois das primeiras denúncias. O processo ainda não foi concluído, não há condenação, e o Ministério Público do Paraná se manifestou pela absolvição, com recurso pendente de análise.
O caso, que nunca havia se tornado público, reacende o debate sobre o modelo de escolas cívico-militares no estado, criado em 2021 e que hoje concentra a maior parte das matrículas desse tipo no país.
Embora seja defendido pelo governo como uma política de disciplina e segurança, o programa acumula críticas de educadores e questionamentos judiciais, além de registros de denúncias de assédio e violência sexual contra alunas.
Levantamentos feitos por diferentes veículos de comunicação apontam que mais de 300 monitores militares já foram desligados do programa desde sua criação, sem divulgação dos motivos.
Diferentemente do que ocorre com servidores civis da educação, cujos processos administrativos são públicos, não há dados acessíveis sobre investigações envolvendo militares. Pedidos de informação feitos com base na Lei de Acesso à Informação foram negados por órgãos policiais.
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