Principal responsável por fiscalizar fraudes no mercado financeiro como a do Banco Master, que até agora deu um prejuízo de quase R$ 60 bilhões ao Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é presidida desde maio de 2022 por João Carlos Accioly, nomeado para o cargo no governo Jair Bolsonaro pelo então ministro da Fazenda, Paulo Guedes, o “posto Ipiranga” da gestão de extrema-direita.
Antes, Accioly foi secretário de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação (SDIC) do ministério no governo Bolsonaro entre 2021 e início de 2022.
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“Erro”
Como bom bolsonarista, o executivo é “liberal” defensor da desregulamentação do mercado financeiro. Em entrevistas, ele já criticou o suposto “excesso de normas” que regem essa área, e afirmou acreditar que o “erro” faz parte do aprendizado do mercado. “Regulação em excesso gera uma falsa sensação de segurança, o que pode ser mais perigoso do que a ausência dela”, declarou Accioly em 2002, logo após assumir o comando da CVM.
No caso do Master, esse “erro” custou até agora mais de R$ 57 bilhões.
Para se ter uma ideia do que isso significa, com esse dinheiro seria possível:
– construir 11.400 escolas de ensino médio em tempo integral capazes de atenderem mais de 5 milhões de alunos;
– construir 380 mil casas populares, garantindo moradia para cerca de 1,5 milhão de pessoas, o que equivale a zerar o déficit habitacional de várias capitais brasileiras somadas;
– construir 1.140 Hospitais Regionais; manter 4.700 UPAs por um ano, ou zerar filas de cirurgias eletivas;
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