CPI do Master vira “moeda de troca” para decidir futuro de condenados do 8 de janeiro
A cúpula do Congresso Nacional trabalha com a possibilidade de realizar, já na primeira semana de março, uma sessão conjunta para analisar o veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, proposta que reduz penas de condenados por atos golpistas. A convocação, no entanto, depende de um entendimento político: evitar que o encontro também sirva para formalizar a instalação de uma CPI sobre o Banco Master.
Para que vetos presidenciais sejam apreciados, cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, convocar deputados e senadores. O impasse é que, na mesma sessão, ele teria de dar andamento à leitura de requerimentos de comissões parlamentares de inquérito, entre eles o que pede investigação sobre operações envolvendo o banco.
Desde o início do ano legislativo, Alcolumbre tem adiado a deliberação. Na Câmara, o presidente Hugo Motta também demonstra resistência à abertura de uma CPI sobre o caso.
A pressão da oposição é crescente. Parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro defendem a derrubada do veto de Luiz Inácio Lula da Silva, o que pode reduzir significativamente o tempo de prisão imposto a condenados pelos atos de 8 de Janeiro.
Para reverter a decisão do Planalto, são necessários ao menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado, números que, à luz das votações anteriores, são considerados alcançáveis pela oposição.
O governo, por sua vez, articula para manter o veto. O líder no Congresso, Randolfe Rodrigues, já indicou que, se houver derrubada, o caso poderá ser levado ao Supremo Tribunal Federal sob argumento de inconstitucionalidade.
Paralelamente, cresce o apoio à CPI do Master, impulsionado por investigação recente da Polícia Federal envolvendo a Amprev, no Amapá. O episódio atingiu um aliado político de Alcolumbre e intensificou cobranças por esclarecimentos.
Com mais de 70 vetos ainda pendentes, o Congresso vive um momento de tensão, marcado por negociações de bastidor e acusações de paralisia deliberada para ganhar tempo.
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