A Argentina deve enfrentar mais um dia de paralisações nesta quinta-feira (19), em meio à escalada de tensão entre o governo de Javier Milei e as principais centrais sindicais do país. A mobilização foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e terá como foco a interrupção do transporte público, com adesão prevista de ônibus, metrô e trens em diversas cidades. A expectativa é de que Buenos Aires concentre os maiores impactos.
Esta será a quarta greve geral organizada pela CGT desde a posse de Milei, em dezembro de 2023. O protesto ocorre no momento em que a reforma trabalhista defendida pelo governo avança no Congresso e pode ser analisada pela Câmara dos Deputados nos próximos dias, após aprovação no Senado. Sindicatos tentam barrar o texto antes da votação definitiva.
Entre os pontos mais criticados está a limitação do direito de greve em serviços considerados essenciais, que deverão manter funcionamento mínimo entre 50% e 75% durante paralisações. A proposta também amplia o período de experiência para até seis meses, podendo chegar a oito em alguns casos, e altera regras de demissão, com redução de indenizações e possibilidade de parcelamento dos valores.
O projeto ainda prevê mudanças na jornada de trabalho, permitindo turnos de até 12 horas diárias com compensações ajustadas à demanda, sem pagamento tradicional de horas extras. Outro eixo sensível é a flexibilização das negociações coletivas, priorizando acordos por empresa em detrimento das convenções nacionais.
Parlamentares da oposição avaliam que a pressão das ruas pode influenciar o debate no Congresso.
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