Um relatório técnico da Controladoria-Geral da União enviado ao Supremo Tribunal Federal acendeu um novo alerta sobre o uso de emendas parlamentares destinadas à Associação Moriá. Segundo a auditoria, a organização da sociedade civil não demonstrou ter estrutura, equipe ou capacidade operacional compatíveis com o volume de recursos federais recebidos nos últimos dois anos.
Entre 2023 e 2024, a entidade foi indicada para receber R$ 74 milhões, sendo R$ 53 milhões provenientes de parlamentares do Distrito Federal, majoritariamente direcionados a um projeto ligado a jogos on-line. A análise aponta fragilidades na execução das parcerias firmadas com órgãos públicos, como orçamentos genéricos e ausência de comprovação de meios próprios para gerir valores elevados.
A CGU também identificou indícios de sobrepreço e falhas graves de controle financeiro. Em contratos com o Ministério do Esporte, foram detectadas locações de tecnologia da informação com valores inflados, somando R$ 1,73 milhão.
Em outra frente, na Secretaria-Geral da Presidência, constatou-se que a etapa pedagógica de um projeto relacionado ao Enem não saiu do papel. Já no Ministério da Cultura, houve quebra na rastreabilidade dos recursos.
Diante do conteúdo do relatório, o ministro Flávio Dino determinou o encaminhamento do material à Polícia Federal para apuração criminal. A medida se soma às investigações já em curso, iniciadas em julho de 2025 com a Operação Korban, que cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro estados.
Um levantamento anterior do portal Metrópoles mostrou que a maior parte das emendas do DF foi destinada a um programa gamer voltado a crianças e adolescentes, com foco em títulos populares do cenário competitivo.
Os principais repasses partiram do deputado Fred Linhares e do senador Izalci Lucas, seguidos por outros parlamentares. Após a repercussão do caso, os autores das emendas informaram a suspensão dos valores que ainda não haviam sido liberados.
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