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Colarinho branco, mangas sujas

(Foto: Reprodução)

A abertura das informações constantes no despacho do Ministro do STF, André Mendonça, que determina a prisão preventiva do dono do inativado Banco Master, Daniel Vorcaro, e outras pessoas, revela uma imensa rede (ou network, como usado em determinados círculos na atualidade) de colaborações, especializações e compartilhamentos de responsabilidade. Financiadas e muito bem remuneradas por dinheiro mal havido.

A dinâmica revelada deu outra dimensão ao que, de longa data, se convencionou chamar de “crime organizado”. Este, deixou de ser apenas um grupo armado, com hierarquia e capaz de desenvolver planejamento, a fim de cometer crimes continuados. O que na atualidade pode-se caracterizar como crime organizado, ascendeu à condição de sujeito econômico, juridicamente perfeito, aceito nas relações empresariais e no circuito financeiro.

Esse método de cometimento continuado de crime é organizado porque ordena diversos ofícios especializados, com distribuição e compartimentação de funções que, no conjunto e organizado por um núcleo gestor, articula diferentes frentes de acumulação de lucros e ganhos. As organizações continuam a usar o sistema financeiro, cada vez mais liberalizado pela maioria política dos últimos anos, para a legalização de dinheiro obtido em atividades ilegais. Contudo, passaram a ser gestores de investimentos legais. Passaram a participar e empreender negócios lícitos, sendo aceitos nos círculos empresariais como qualquer outro empresário ou CEO de investimentos.

A ultra financeirização da economia, com o domínio da moeda e do circuito monetário, permitiu passar para uma situação de regularização e legalização do dinheiro havido, a partir de várias espécies de crimes: os de colarinhos brancos aos vinculados com o tráfico de drogas ilícitas. O que é conhecido como ‘lavagem de dinheiro”.

Mas foi além. Uma vez, lavado o dinheiro mal havido, ele passa a ser base para investimentos legais na economia, sem que sejam molestados pelo sistema. O que expõe com clareza a dinâmica e as relações dos negócios econômicos, em especial, vinculados ao campo do capital financeiro, quando não subordinados a um sistema de governança público e transparente.

As operações Carbono Oculto, Quasar e Tank, realizadas em 2025, demonstraram como organizações criminosas vinculadas ao tráfico de drogas ilícitas utilizavam fundos de investimentos e empresas financeiras que operam na avenida Faria Lima (principal centro financeiro do Brasil) para gerar, lavar e ocultar recursos. As descobertas do caso Banco Master demonstram que a operabilidade financeira, na verdade, se dá em patamares muito mais sofisticados e complexos da economia.

Jorge Branco

Sociólogo e Cientista Político, Jorge Branco pesquisa extrema direita e democracia. É autor, professor, gestor público e diretor da Revista DDF.

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