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Nossa bandeira jamais será listrada

(Foto: Getty Images/Reprodução)

Entre julho e setembro, o quadro político deu inúmeras voltas, capotou até, como costuma-se dizer. Apenas para ficar nos eventos mais importantes, dia 30 de julho, Trump assinou decreto que impôs sansões tarifárias às exportações brasileiras.

No dia 04 de agosto, Bolsonaro teve sua prisão domiciliar cautelar decretada e dia 11 de setembro, foi condenado pelo STF, em caráter definitivo, por crimes contra a democracia brasileira. Dia 07 de setembro, Independência do Brasil, bolsonaristas desfraldaram uma grande bandeira do EUA em ato de apoio às sanções contra o país.

Dia 16, ainda em setembro, o Centrão e a extrema direita aprovaram, na Câmara dos Deputados, a PEC da blindagem e ameaçaram com a aprovação da anistia para os condenados pela tentativa de golpe. 

Este conjunto de fatos fortes, em sucessão, impactaram as pesquisas de intenção de votos e de avaliação do governo Lula. Em 25 de agosto, o Instituto Paraná Pesquisas divulgou pesquisa que dava conta de um cenário de impasse nas intenções de voto.

Em três cenários de segundo turno testados, há empate na margem de erro ente Jair e Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Lula. Em 28 de agosto, a Atlas Intel registra um quadro diferente, Lula teria 44,1% das intenções de voto; Tarcísio, 31,8%.

Já em setembro, as pesquisas mostraram Lula em consolidação. Pesquisa da Quaest, dia 18, indica que Lula venceria Jair Bolsonaro, Michelle, Eduardo e outros nomes em eventual segundo turno de 2026. Nova pesquisa da Atlas Intel publicada no dia 17 de setembro registra que Lula venceria em todos os cenários de segundo turno, ficando entre 50% e 52% das intenções de voto.

O fato é que a luta política ascendeu em intensidade que as posições vinculadas à democracia, à soberania e à economia popular cresceram em apoio na opinião pública. O início de julho foi marcado pelo debate da taxação dos ricos, marcando a primeira grande polarização política na opinião pública deste período.

Assim como em 2021 e em 2022, o crescimento das forças progressistas esteve vinculado à aglutinação em torno de conceitos universais, como a democracia e os direitos sociais. Mais uma vez, a defesa da democracia se materializou uma ideia-força com capacidade aglutinadora e mobilizadora. O julgamento da tentativa golpista e o combate a anistia mobilizou a opinião pública progressista que se mostrou resiliente neste período de hegemonia bolsonarista.

Porém, neste período as tentativas de interferência do Governo Trump ampliaram esta dimensão globalizante, adicionando ao sentido geral da democracia também a defesa da soberania e da nacionalidade. Houve uma grande internacionalização do debate com efeitos sobre a política brasileira, como também sobre a política estadunidense.

No plano internacional, o Governo Trump vem se deslegitimando com suas posições que não são lastreadas nos acordos, leis e padrões de relacionamento internacionais. Temas como o apoio ao genocídio palestino, as ameaças à Venezuela, a política de agressão tarifária e a pressão contra a democracia brasileira fazem o governo Trump se isolar cada vez mais. 

Se concordarmos que nesta última década o centro político foi hegemonizado pela extrema direita, poderemos considerar que a chave para que o campo à esquerda mantenha condições de ser majoritária é liderar o antagonismo à extrema direita, atraindo aquelas parcelas da opinião pública que rejeitam as teses e políticas reacionárias. As manifestações de rua ocorridas no Brasil neste domingo, 21 de setembro, demostram que a causa da democracia unifica e que a ofensividade e coragem mobiliza.

Jorge Branco

Sociólogo e Cientista Político, Jorge Branco pesquisa extrema direita e democracia. É autor, professor, gestor público e diretor da Revista DDF.

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