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René e a Soberania – E se Trump mandar o Brasil inocentar o assassino do gari?

“Cristão, esposo, pai e patriota”: o retrato do homem que tirou a vida de um gari. (Foto: Reprodução)

René tem o direito de matar. Afinal, ele se autoproclama “cristão, esposo, pai e patriota”.

René tem, obviamente, o direito de agredir. Submete uma delegada e empunha a arma dela quando quer. Espancou companheiras em 2003, 2005 e em 2021, contados só os registros policiais. 

René tem o direito de mentir. Inventou legitimamente graduação, mestrado e outros cursos, inclusive de Harvard (sobre Harvard, mentiu como George W. Bush e Silvio Berlusconi). 

René tem o direito de dirigir ao seu modo (em 2011, atropelou e matou uma mulher), com pleno direito de ir e vir. A companhia de limpeza urbana não poderia obstaculizar o caminho individual do carro elétrico de René com seu caminhão coletivo de coleta. 

O interesse social não pode se sobrepor ao do indivíduo “cristão, esposo, pai e patriota”.

René tem o direito de ameaçar. À motorista do caminhão não cabia responder sinalizando que havia espaço de sobra para passar. Somente René tem autoridade para definir a necessária distância entre sua propriedade e os “pobres”. 

René tem o direito de disparar armas, quando contrariado. Foi absurda a reação do agora morto Laudemir, que com outros garis pretendeu impedir René de exercer o sagrado direito de dar “um tiro na cara da motorista do caminhão.”

René tem todo o direito ao lazer. Assassinado o gari, o assassino levou seus cães ao passeio e depois seguiu para a musculação. Inconvenientes foram os policiais que o prenderam na academia.

Por mero acaso, René é branco. Laurindo? Um não branco, destituído de direitos e alvo preferencial de brutalidades policiais e balas “perdidas”.

René está preso. 

Agora imagine que os EUA, a maior potência militar e econômica do planeta, queiram interferir no julgamento de René para fazer com que o processo judicial sequer exista.

Os motivos? Começam pela empatia.

Trump tem o direito de matar, de ameaçar, de intimidar e de mentir, e também se autoproclama “cristão, esposo, pai e patriota”.

Trump é ególatra, narcísico, racista e misógino como René. É verdade que Trump supera René em dinheiro e pedofilia, mas ninguém pode duvidar do potencial de René.

Além de se dedicar ao “lazer” pedófilo, Trump mata crianças, mulheres e idosos, sem pestanejar, seja em Gaza, em Teerã, ou onde lhe aprouver. Seu direito de ir e vir não conhece fronteiras. Bombas sobre o Rio de Janeiro, São Paulo ou Brasília? Por que não?

Trump tem o direito de limpar os pés na cara da Eurolândia e de humilhar qualquer chefe de estado. E, com a vassala colaboração de brasileiros traidores, Trump quer a rendição incondicional do Brasil, a rasura de nossa Constituição e a demolição de nossas instituições. 

Tudo para soltar René, anistiar René e fazer de René presidente do Brasil. 

Soberania significa dizer não a Trump e processar e julgar René, para que ao fim todos os Renés, estejam presos.

Normando Rodrigues

Advogado, mestre em Direito, assessor da FUP, ex-professor da UFRJ e apresentador do programa Trilhas da Democracia.

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