Skip to content Skip to footer

Tentativa de Exéquias, Tentações de São Jair

Bolsonaro
(Foto: Francisco Proner)

Tentativas e tentações têm muito em comum. Se a falha das primeiras pode revelar a incompetência de quem tenta, é indiscutível que a doce entrega às segundas demonstra a corrupção de caráter do tentado.

Incompetência e corrupção são traços gritantes da personalidade de JM, incompetente tentador em todas as dimensões da vida e corrupto tentado, seduzido sem a menor resistência.

Oficial do Exército por pouco mais de dez anos, JM foi cedo qualificado por seus superiores enquanto tentado e dominado pela Ganância. Tentou a fabricação e venda de bolsas femininas, a partir de paraquedas furtados. Tentou o garimpo ilegal no MS. Sempre sem sucesso.

Ainda de farda, cada tentativa empreendida por JM para se tornar liderança foi neutralizada pela submissão à tentação da Ira, presente no trato que dispensava a subordinados, segundo relatório interno que identificou a irracionalidade e o desequilíbrio de sua conduta.

Tentado pelo Orgulho corporativo e pela Inveja dos salários civis, JM se tornou terrorista e tentou explodir a Adutora do Guandu para privar a população do Rio de água potável, em “protesto” contra os baixos soldos. Moleque irresponsável, o já capitão JM tentou ainda explodir banheiros em quartéis diversos. Sequer isto conseguiu.

Detalhe importante, uma vez descobertos os planos de JM, o conivente Exército o premiou com uma aposentadoria.

Eleito vereador no Rio (2 anos) e deputado federal (29 anos), JM foi tentado e capturado pela Preguiça em plenário e pela Luxúria em privado. Foi diversas flagrado a dormir em sessões e declarou utilizar recursos públicos para “comer gente”.

Sua biografia reservou para a lúgubre presidência da República a rendição incondicional à tentação da Gula, manifesta num sem número de malfeitos que vão da cobrança de propinas na vacina da Covid, ao caso do Banco Master, não computada a aquisição de mais de 150 imóveis, na maioria comprados à vista e em dinheiro vivo.

Pode-se dizer que, enquanto presidente, o sexagenário fascista realizou os objetivos gananciosos do já corrupto jovem tenente. Aos brasileiros, entretanto, JM dedicou algo incomparavelmente pior do que a corrupção: o genocídio.

A cruel gestão da crise da Covid fez do Brasil um cenário do tríptico “As tentações de Santo Antão”, de Hyeronimus Bosch. Tornamo-nos campeões mundiais de mortes e as estimativas mais ponderadas são de que no mínimo a grossa maioria dos óbitos teria sido evitada, se houvesse um ser humano à frente do País.

JM “ainda” não respondeu por seu crime maior, contra a humanidade. Foi ao menos apenado por suas atabalhoadas e continuadas tentativas contra a democracia, das quais suas características arrogância e ignorância forneceram um aluvião de provas.

Uma vez condenado, JM tentou se furtar à responsabilidade com o recurso habitual no esgoto moral que habita, a fuga. Não uma fuga heroica, rebelada contra a injustiça, nos moldes da fuga das vítimas da ideologia de JM nos campos da morte de Treblinka e Sobibor. Não.

JM tentou a evasão dos que fogem à verdade, quando esta lhes é inconveniente. A canhestra tentativa, foi a da escapadela dos pusilânimes e covardes, dos invertebrados e poltrões, dos fracos e dos frouxos, como o são JM, sua laia e os que ainda o seguem, desprovidos das mínimas qualidades necessárias ao convívio social.

Malfadada de saída, porquanto nascida da mesma cloaca intelectual que parira a mambembe tentativa de golpe de estado, serviu a tentativa para ainda uma vez exibir ao País um ser desprovido de razão e moralmente tão débil quanto. Um tentador tacanho e inapto, e um tentado depravado e gelatinoso.

Abandonado por homens e mulheres de ocasião, JM foi autofagicamente tragado por suas ciclópicas incapacidades, e finalmente posto onde o não menos incompetente Exército o deveria ter colocado em 1988, os ínferos. Fechou-se um ciclo e a porta da cadeia.

Politicamente, JM “Já Morreu”.

Normando Rodrigues

Advogado, mestre em Direito, assessor da FUP, ex-professor da UFRJ e apresentador do programa Trilhas da Democracia.

Mais Matérias

05 fev 2026

Como espantar tempos sombrios

Sinto vontade de me esconder em algum lugar no fim do mundo. Um tempo, sem pensar na guerra eleitoral vindo aí e outras tantas guerras (inclusive a minha…
03 fev 2026

Analfabetos democráticos

Durante a pornográfica Ditadura Militar de 1964-85, aqueles mesmos que prenderam Paulo Freire e impediram o bem sucedido…
02 fev 2026

Sem dados, sem políticas: a realidade das pessoas trans no Brasil

Ao encerrarmos mais um mês da Visibilidade Trans, é preciso ir além dos discursos simbólicos e das campanhas pontuais…
30 jan 2026

Decisão histórica, aplicação frágil: por que a LGBTIfobia ainda não é tratada como racismo no Brasil?

Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão histórica ao reconhecer que a LGBTIfobia deve ser enquadrada como crime de racismo.
30 jan 2026

Monotonia no prato: Como viver melhor, dieta diversificada e dois livros ajudam

“Chega de veneno e comida monótona”. A frase me chegou por e-mail. Você já leu algum relatório sobre produção de alimentos?

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos