A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um relatório que reúne elementos sobre a relação do ministro Dias Toffoli com o Banco Master e aponta possíveis indícios de irregularidades. O documento foi entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin, e pode abrir caminho tanto para a análise da imparcialidade do magistrado no caso quanto para eventual apuração criminal.
A peça enviada pela PF é classificada como Informação de Polícia Judiciária. Com base na Lei Orgânica da Magistratura, investigadores submeteram o material diretamente ao Supremo ao identificarem indícios envolvendo integrante da própria Corte, procedimento obrigatório quando surgem suspeitas contra juízes. Sem autorização do tribunal, a investigação não pode avançar.
Após receber o relatório, Fachin determinou a abertura de um incidente para avaliar possível suspeição de Toffoli na condução do processo relacionado ao banco. O ministro foi notificado e respondeu afirmando não haver motivo para se declarar impedido. Ainda assim, em reunião reservada realizada na noite de quinta-feira, os ministros decidiram que ele deixará a relatoria do caso.
O relatório também menciona transações financeiras ligadas à empresa Maridt, que integrou o quadro societário do resort Tayayá, no Paraná. Segundo a apuração, mensagens obtidas pela PF indicariam tratativas entre o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel, sobre repasses vinculados à aquisição do empreendimento. Há referências a pagamentos efetuados após a conclusão do negócio.
Toffoli confirmou participação societária na empresa, mas declarou que nunca recebeu valores de Vorcaro ou de Zettel. A defesa sustenta que os recursos mencionados dizem respeito à venda regular de participação no empreendimento. O caso segue sob análise do Supremo, que agora avaliará os próximos passos.
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