A Polícia Federal ampliou o pente-fino nas contas do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, e identificou uma movimentação de R$ 2,7 bilhões entre janeiro de 2016 e novembro de 2025.
O volume equivale a uma média diária de R$ 773 mil ao longo de quase dez anos, segundo documentos obtidos no âmbito da investigação que apura suspeitas de fraudes envolvendo a tentativa de venda da instituição ao BRB.
Os registros detalham entradas de R$ 1,39 bilhão e saídas de R$ 1,38 bilhão no período analisado. Parte significativa das operações envolve transferências a sócios e parceiros comerciais, aplicações financeiras, resgates de investimentos, dividendos e pagamentos de tributos. Ainda assim, despesas pessoais chamaram a atenção dos investigadores.
Somente em faturas de cartão de crédito, Vorcaro desembolsou R$ 51 milhões no intervalo de dez anos, média superior a R$ 5 milhões por ano.
Há também repasses expressivos a uma joalheria de São Paulo, que somaram R$ 1,7 milhão em 16 pagamentos, além de R$ 1,65 milhão destinados a uma concessionária de carros de luxo em Belo Horizonte e R$ 1,3 milhão a uma empresa de venda de embarcações no litoral do Paraná. Compras em lojas de grifes internacionais ultrapassaram R$ 2,2 milhões.
A PF também apura operações realizadas pelo Master com fundos administrados pela gestora Reag, igualmente liquidada pelo Banco Central. A suspeita é de que uma rede de fundos tenha sido utilizada para inflar ativos e melhorar artificialmente o balanço da instituição. Apenas entre abril de 2024 e a prisão de Vorcaro, foram movimentados R$ 54 milhões.
O banqueiro é alvo central da Operação Compliance Zero. Preso em novembro de 2025, foi solto semanas depois e cumpre atualmente prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Quando o Master foi liquidado, bens avaliados em cerca de R$ 230 milhões foram apreendidos, incluindo aeronave, obras de arte, relógios e veículos de alto padrão.
A defesa afirma que todo o patrimônio e as transações do empresário estão declarados às autoridades e que ele segue colaborando com as investigações.
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