A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal concentra esforços no comportamento dos três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento direto na morte de pacientes internados no Hospital Anchieta, em Taguatinga. Presos no âmbito da Operação Anúbis, eles são apontados como autores de condutas deliberadas e reiteradas que fugiam completamente dos protocolos médicos e da rotina assistencial da unidade.
De acordo com os investigadores, o principal suspeito, um técnico de 24 anos, teria agido de forma planejada. Ele se aproveitou do acesso indevido ao sistema hospitalar, utilizando a conta de um médico que não estava mais no local, para registrar a prescrição de um medicamento inadequado. Em seguida, buscou a substância na farmácia da instituição, ocultou o material no próprio jaleco e aplicou nos pacientes sem qualquer autorização da equipe médica responsável.
A apuração indica que a ação não ocorreu de forma isolada. O técnico contou com a conivência de outras duas profissionais de enfermagem que estavam de plantão. Uma delas teria auxiliado na retirada do medicamento, enquanto ambas permaneceram presentes durante as aplicações, sem qualquer tentativa de impedir a conduta ou alertar superiores.
Em pelo menos um dos casos, além da medicação irregular, um desinfetante foi aplicado diversas vezes em uma paciente idosa, no mesmo dia, em um contexto de extrema fragilidade clínica.
Inicialmente, os investigados negaram participação nos fatos. No entanto, essa postura mudou após a apresentação de imagens das câmeras de segurança do hospital, que registraram a movimentação suspeita e as ações dentro da UTI. Diante das evidências, dois dos envolvidos acabaram confessando a participação.
O comportamento chamou a atenção das equipes técnicas e da perícia, já que os pacientes não apresentaram deterioração progressiva do estado de saúde. As mortes ocorreram de forma abrupta, o que reforçou a suspeita de interferência externa intencional. A Polícia Civil agora analisa se o trio adotou práticas semelhantes em outros hospitais onde trabalhou nos últimos anos e investiga a possibilidade de novas vítimas.
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