Professor curitibano cria método revolucionário para desenvolver pessoas com Transtorno do Espectro Autista
O Método PAE, desenvolvido por Nilson Sampaio, é baseado na paciência, amor e empatia no ensino; a prática é aplicada desde 2019, potencializada por aulas de artes e desenho, em crianças e jovens de Curitiba (PR)
A realidade de mais de 2 milhões de brasileiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ser transformada por meio de um método revolucionário criado pelo professor e especialista em inclusão, Nilson Sampaio. Aplicado desde 2019 em um seleto grupo de pacientes de Curitiba (PR) com TEA e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o Método PAE (Paciência, Amor e Empatia) é uma abordagem de ensino que valoriza a individualidade de cada aluno, reconhecendo que tanto crianças neurotípicas quanto neurodivergentes possuem formas únicas de aprender, tudo isso potencializado pela arte.
Todo o método desenvolvido por Sampaio foi criado a partir de experiências do professor com crianças e jovens dentro do espectro autista, que têm seus sentidos potencializados por técnicas de arte e desenho.
A arte é um potencializador de desenvolvimentos do autista, que passam pelo comportamento, desenvolvimento emocional, habilidades sociais e outras funções, e impactam até mesmo na entrada dessa pessoa no mercado de trabalho
destaca o professor.
O PAE não apenas respeita estas diferenças, como também as utiliza como base para promover autonomia e um aprendizado significativo, com atendimento personalizado direto na casa do aluno.
Aplicar os pilares do método, que são a paciência, o amor e a empatia no ensino destas crianças e adolescentes não apenas melhora o aprendizado acadêmico, mas também fortalece a autoestima e a independência. O PAE ajuda a criar um ambiente seguro, onde os alunos se sentem respeitados e confiantes para explorar o conhecimento sem medo de errar
explica Sampaio.
Sampaio enfatiza a importância da assistência na troca de conhecimento entre aluno e professor ao organizar fluxos, enfrentar e respeitar rotinas e situações peculiares de cada aluno dentro do espectro, encontrando um ponto de flexibilidade para a autonomia deles. O especialista destaca, por exemplo, uma de suas alunas, que se destaca pela escolha artística peculiar de só retratar o personagem Mickey Mouse em todos os seus desenhos.





A paciência aborda o ritmo próprio do desenvolvimento e aprendizado de cada aluno dentro do método.
Os alunos geralmente precisam de mais tempo que o usual para compreender um conceito, muitos precisam de repetições constantes
conta Sampaio.
De acordo com o PAE, ter paciência significa respeitar esse tempo, criar um ambiente seguro para o erro e entender que o progresso não é linear.
Ensinar sem pressa e sem cobranças excessivas fortalece a confiança do aluno e permite que ele realmente absorva o conhecimento
diz.
O pilar relacionado ao amor se reflete no cuidado, na persistência e na alegria em ensinar.
Trabalhar com crianças, especialmente aquelas com desafios na comunicação, ou na adaptação a diferentes contextos, exige um envolvimento genuíno. Além disso, crianças aprendem por observação e repetição, e se forem cercadas por atitudes amorosas, tenderão a reproduzir esse comportamento
detalha.
O último pilar é a empatia, considerada fundamental para que o educador consiga perceber o mundo a partir da perspectiva do aluno. Compreender as dificuldades e necessidades da criança possibilita intervenções mais eficazes e respeitosas.
Quando um professor ou cuidador se coloca no lugar do outro, consegue identificar barreiras no aprendizado e propor soluções mais adequadas
completa Sampaio.
Sobre Nilson Sampaio
O especialista trabalha a inclusão por meio da arte e é especialista em inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Sampaio iniciou sua carreira artística com apenas 14 anos, contribuindo com diversos veículos de comunicação do país e lançando diversos livros autorais. É graduado em Gravura (EMBAP) e em Licenciatura em Artes Visuais (Unespar). Desde 2013, dedica-se à arte para neurodivergentes.
Sampaio possui especialização em Educação Especial e Inclusão, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e em Neuroaprendizagem. Além disso, tem formação continuada no trabalho colaborativo pedagógico para o TEA na própria UFPR. Para completar, está concluindo uma Certificação Internacional em Análise do Comportamento QASP-S. Mais informações no perfil oficial do especialista no Instagram: @oprofessorsampaio.
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