A Polícia Federal iniciou nesta segunda-feira (26) uma nova rodada de depoimentos no inquérito que investiga suspeitas de fraude financeira envolvendo o Banco Master e a tentativa de sua aquisição pelo Banco de Brasília (BRB). O procedimento, que segue até terça-feira (27), ocorre sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal, e pode ser decisivo para definir se o caso permanece na Corte ou retorna à primeira instância da Justiça Federal.
Ao todo, oito investigados prestam depoimento, parte de forma presencial no STF e parte por videoconferência. A expectativa inicial era de um número maior de oitivas, incluindo um novo interrogatório do controlador do banco, Daniel Vorcaro, mas o cronograma foi encurtado por decisão do relator. Com isso, os trabalhos foram concentrados em dois dias e o ex-banqueiro ficou fora desta etapa.
As investigações se concentram em operações financeiras consideradas irregulares, envolvendo a cessão de créditos que, segundo os investigadores, não teriam lastro real. O volume sob suspeita gira em torno de R$ 12 bilhões. Há indícios de que esses ativos teriam sido utilizados para criar uma aparência artificial de liquidez do Master, com possível participação de executivos do próprio banco e de dirigentes do Banco de Brasília.
Entre os ouvidos estão ex-sócios e diretores do Banco Master, além de ex-dirigentes do BRB ligados às áreas financeira e de operações. A apuração também envolve empresas apontadas como de fachada, que teriam sido usadas para justificar a origem dos créditos negociados. Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa, indução de investidores a erro e lavagem de dinheiro.
O caso chegou ao STF no fim do ano passado, após decisão de Toffoli, e teve o inquérito prorrogado por mais 60 dias neste mês. A defesa dos investigados nega irregularidades. A conclusão dessa fase deve orientar os próximos passos da investigação e o futuro do processo no Judiciário.
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